Um vídeo falso com grande impacto nas redes sociais
Um vídeo amplamente partilhado no Facebook, que aparenta mostrar o presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, a beijar uma jovem, é resultado de manipulação com recurso à Inteligência Artificial (IA). O conteúdo, que gerou grande controvérsia e comentários nas redes sociais, não é autêntico e enquadra-se numa tendência crescente de desinformação digital em Moçambique e no mundo.
Características do deepfake e origem da publicação
O vídeo apresenta características típicas de um “deepfake”, uma técnica de Inteligência Artificial que permite substituir rostos, vozes ou expressões faciais de forma quase realista. Pelo que a Checka Moz constatou, o vídeo foi publicado pela página Golpe Baixo, com mais de 6 mil seguidores e, em pouco tempo, foi partilhado por mais de 100 pessoas, ampliando o alcance do material manipulado. E mais, a página em causa apresenta uma série de vídeos manipulados envolvendo outras figuras.
Crescente uso de IA em conteúdos falsos
Nos últimos meses, Moçambique tem registado um aumento na circulação de conteúdos falsos, sobretudo durante períodos de tensão política e eleitoral. O uso de IA generativa para manipular vídeos, áudios e fotografias, antes uma prática restrita a países tecnologicamente avançados, já chegou às redes moçambicanas.
Base legal e necessidade de vigilância digital
Apesar de existir a Lei n.º 6/2019 sobre Crimes Cibernéticos, que pune a criação e difusão de conteúdos falsos ou manipulados com intenção de difamar ou enganar o público, a circulação do vídeo falso de Daniel Chapo é um alerta sobre os novos desafios da desinformação digital em Moçambique, num contexto em que as redes sociais assumem papel central no debate público.
As autoridades e os cidadãos são agora chamados a fortalecer a vigilância digital e a cultura de verificação, para travar o avanço das manipulações tecnológicas que ameaçam a verdade e a reputação das figuras públicas.





