O Jornal Evidências, na sua edição de 15 de Setembro de 2026, coloca em destaque o debate sobre o equilíbrio regional na estrutura de liderança da ANAMOLA, apontando a crescente discussão interna em torno da presença de dirigentes oriundos do Sul nos principais cargos do partido.
A análise surge na sequência das recentes mudanças na cúpula da organização, com a indicação de James Mlando Fausto Njiji para secretário-geral interino e o regresso de Alberto Manhiqué à liderança da frente como porta-voz nacional. Segundo o jornal, a nova configuração reacendeu preocupações em sectores do Centro e Norte sobre a distribuição regional dos cargos de decisão.
Mudanças na cúpula reacendem debate
De acordo com o Evidências, as alterações na estrutura dirigente da ANAMOLA foram interpretadas por alguns sectores como uma mudança capaz de alterar o equilíbrio regional que vinha sendo observado na organização.
O jornal destaca que Venâncio Mondlane, presidente da ANAMOLA, decidiu mexer em duas posições consideradas importantes da estrutura nacional: a Secretaria-Geral e a comunicação nacional.
James Mlándo Fausto Njiji foi indicado para exercer interinamente o cargo de secretário-geral, enquanto Alberto Manhiqué regressou ao cargo de porta-voz nacional.
A publicação observa que os dois dirigentes têm ligações ao Sul do País, circunstância que, segundo os relatos apresentados, alimentou questionamentos sobre a representatividade regional da actual direcção.
Saída de Uarreno altera equilíbrio interno
Outro elemento destacado pelo Evidências é a saída de Messias Uarreno, natural da Zambézia, anteriormente apontado como uma figura de equilíbrio regional dentro da estrutura dirigente.
O jornal refere que Uarreno chegou à Secretaria-Geral em Setembro de 2025, substituindo Alberto Manhiqué, e que a sua saída terá sido recebida de forma diferente entre os vários sectores do partido.
Segundo a publicação, a presença de Uarreno representava, para alguns membros, uma oportunidade de maior equilíbrio entre as diferentes regiões na composição da liderança.
A alteração é apresentada como parte de uma reorganização mais ampla da estrutura partidária, cuja composição passou a suscitar maior discussão entre sectores do Centro e Norte.
Nampula transforma-se em centro das contestações
O debate ganha particular intensidade em Nampula, sobretudo no círculo de Nacala, onde, segundo o jornal, cerca de 300 membros terão abandonado uma reunião partidária como forma de protesto.
O Evidências descreve Nampula como um dos principais focos de mobilização interna e refere que a contestação ultrapassa a questão da distribuição dos cargos nacionais, envolvendo também divergências sobre a organização e o futuro político da ANAMOLA.
A publicação cita ainda relatos segundo os quais membros de diferentes regiões questionam a concentração de posições de influência nas mãos de dirigentes oriundos do Sul.
O fenómeno é apresentado pelo jornal como um debate que pode prolongar-se nos corredores internos da organização, particularmente à medida que a ANAMOLA procura consolidar a sua estrutura nacional.
Regionalismo passa a integrar debate sobre liderança
Na análise publicada, o Evidências sustenta que a questão regional não deve ser confundida necessariamente com uma avaliação da competência individual dos dirigentes.
O ponto levantado pela publicação é a percepção de alguns sectores de que determinadas regiões poderão estar menos representadas no núcleo onde se concentram as decisões políticas da organização.
A discussão coloca, assim, a composição geográfica da liderança no centro de um debate mais amplo sobre representatividade, coesão interna e consolidação de uma estrutura partidária com expressão nacional.
A própria publicação chama atenção para o facto de a ANAMOLA procurar afirmar-se como uma organização nacional, reunindo membros de diferentes províncias e regiões.
Novos movimentos podem redefinir a estrutura
O Evidências também destaca a actuação de Venâncio Mondlane na reorganização da estrutura partidária, apontando que as mudanças nos cargos nacionais fazem parte de uma dinâmica interna que ainda poderá produzir novos movimentos.
A saída de figuras como Messias Uarreno e a entrada de novos dirigentes poderão continuar a influenciar a percepção sobre o equilíbrio regional dentro da organização.
Paralelamente, a mobilização registada em Nacala e as manifestações de descontentamento atribuídas a alguns membros mostram que a questão da representatividade regional ganhou espaço no debate interno da ANAMOLA.
O jornal refere ainda que membros em Nacala terão entregue cartas de desvinculação do partido durante um encontro destinado a discutir o futuro político da organização, num episódio que, segundo a publicação, poderá ter consequências sobre a estabilidade da estrutura provincial.
Um debate sobre representatividade nacional
A análise do Evidências coloca, deste modo, o regionalismo como uma das questões que actualmente atravessam a vida interna da ANAMOLA. As posições apresentadas são atribuídas a sectores e membros da organização, não constituindo, por si só, uma confirmação independente de desequilíbrio na distribuição de cargos.
O debate surge num momento de consolidação da ANAMOLA enquanto força política de expressão nacional e poderá ganhar novos contornos à medida que a organização define a sua estrutura dirigente e prepara os próximos passos da sua formação política.
Mais do que uma disputa individual por cargos, a discussão exposta pelo jornal coloca em evidência uma questão recorrente na organização de partidos de âmbito nacional: como garantir representatividade territorial e coesão interna numa estrutura que pretende projectar-se para além das suas bases regionais.





