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Venâncio Mondlane fecha portas às televisões, depois de ser encurralado na MBC TV

Venâncio Mondlane fecha portas às televisões, depois de ser encurralado na MBC TV

Por Redacção Checka Moz.

O braço direito de Venâncio Mondlane, Dinis Tivane, foi um dos primeiros a reagir ao polémico episódio da entrevista na MBC TV, acusando o jornalista José Belmiro de desonestidade e de conduzir uma “emboscada mediática” contra o líder.

“Do meu lado, esse senhor não mais terá oportunidade de entrevistar ao meu Chefe. Aquela palhaçada disfarçada de jornalismo isento não mais vai acontecer naquele canal. Chega de cabalas”, disparou Tivane, apelando ao Sindicato Nacional dos Jornalistas e ao Conselho Superior da Comunicação Social para que investiguem o caso.

Um político sem dados

Na entrevista, Mondlane foi confrontado com perguntas incisivas sobre o seu Plano de Recuperação Pós‑Cheias, avaliado em apenas 1 bilião de dólares, contra os 3 biliões estimados pelo Executivo. O jornalista insistiu em saber como o plano teria sido elaborado sem levantamentos técnicos e enquanto as cheias ainda devastavam várias zonas.

Mondlane não apresentou números, estudos ou dados concretos. Limitou‑se a respostas vagas, repetindo que o país tem “um histórico de soluções pontuais e conjunturais”, sem conseguir sustentar a viabilidade financeira das suas propostas.

“Como já tens um Plano de Recuperação Pós‑Cheias se as pessoas ainda estão nas águas?”, insistiu Belmiro, sem obter explicações consistentes.

A defesa, os contrapontos e críticas duras

Apesar da fúria de Tivane, houve quem visse na entrevista um exercício legítimo de jornalismo. Abinelto Bié considerou que Belmiro apenas cumpriu o papel de colocar questões técnicas e incisivas, e que Mondlane foi testado, mas não conseguiu convencer.

“Venâncio não foi diminuído, foi testado, e resistiu. Mas não trouxe números nem dados concretos, e isso é o mínimo que se espera de quem aspira governar”, afirmou Bié.

Para Gustavo Mavie, o episódio expôs a velha táctica de Mondlane de criar “falsas verdades” para induzir percepções ilusórias de soluções rápidas e baratas.

“O mérito de José Belmiro foi ter exposto que Mondlane não tinha dados, apenas ilusões. Ele foi cilindrado em directo”, escreveu Mavie, comparando o político a André Ventura e classificando Belmiro como o “Larry King moçambicano”.

Mavie destacou ainda a promessa de Mondlane de construir uma linha férrea Maputo–Cabo Delgado em apenas um ano, sem apresentar cálculos de custos ou estudos de viabilidade, o que reforçou a percepção de improviso e falta de rigor.

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