O ingresso no XLIV (44.º) curso básico da Polícia da República de Moçambique (PRM) ficou marcado por um esquema de corrupção envolvendo mais de 100 candidatos, que terão pago valores entre 100 mil e 300 mil Meticais para garantir a sua admissão.
De acordo com o porta‑voz do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Romualdo Johnam, os montantes pagos variavam em função da capacidade financeira dos candidatos, sendo que o valor mais comum rondava os 150 mil Meticais. Em alguns casos, os pagamentos atingiram os 300 mil Meticais, configurando um esquema de suborno de grande escala.
As denúncias recebidas levaram à abertura de mais de 100 processos‑crime, já instruídos e remetidos aos tribunais competentes para julgamento.
Apesar das investigações em curso, os candidatos admitidos seguiram esta para a Escola Prática de Matalane, no distrito de Marracuene, província de Maputo, onde terão início as actividades formativas do curso básico da PRM.
Outros casos em investigação
Na mesma conferência de imprensa, o GCCC revelou a existência de outro processo na província de Nampula, envolvendo uma funcionária do sector de recursos humanos e uma professora. Ambas são suspeitas de cobrar valores entre 40 mil e 70 mil Meticais a cidadãos, prometendo facilitar o ingresso na função pública. O caso encontra‑se igualmente em tramitação pelas autoridades competentes.
O balanço apresentado pelo GCCC demonstra que o combate à corrupção continua a expor práticas ilícitas em sectores estratégicos, como o recrutamento policial e a função pública. As autoridades asseguram que os processos instaurados visam responsabilizar os envolvidos e reforçar a transparência nas instituições do Estado, num esforço para restaurar a confiança pública e garantir que o mérito prevaleça sobre esquemas de suborno.





