O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou a detenção da administradora de Xai‑Xai, acusada de desviar donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza. Foram igualmente detidos a directora do gabinete da governadora de Gaza e um funcionário de armazém ligado ao hospital local.
Segundo o porta‑voz do SERNIC em Gaza, Zaqueu Mucambe, os detidos encontram‑se em prisão preventiva e serão presentes ao juiz para interrogatório. Durante as diligências, 15 pessoas foram ouvidas sobre o destino dos bens, tendo afirmado que seriam transportados para o centro de acolhimento da Escola Secundária de Tavene. Contudo, verificou‑se que parte significativa dos donativos estava escondida nas residências dos visados, em claro prejuízo dos legítimos beneficiários.
Na operação, foram apreendidos produtos avaliados em mais de 350 mil meticais, incluindo:
- 218 colchões;
- 41 fardos de roupa usada;
- 67 sacos de farinha de milho;
- 20 sacos de arroz de 25 kg e 40 sacos de arroz de 50 kg;
- 25 caixas de óleo vegetal e 3 caixas de óleo de 2 litros;
- 2 sacos de feijão manteiga de 50 kg e 1 caixa de feijão enlatado;
- 9 embalagens de açúcar;
- 9 caixas de massa de tomate e 20 caixas de molho de tomate;
- 19 caixas de vinagre;
- 26 caixas de água mineral;
- 19 caixas de atum;
- 7 caixas de sabão em pó;
- 2 caixas de leite;
- 6 embalagens de pasta dentífrica e 7 embalagens de escovas de dentes;
- 140 caixas de massas para gato;
- 3 caixas de bolachas;
- além de outros bens diversos.
Expansão das investigações e apelo da Primeira Dama
O porta‑voz do SERNIC afirmou que mais funcionários públicos poderão ser detidos nos próximos dias, em conexão com este caso. Na tarde de terça‑feira, outro funcionário do Governo Distrital de Chibuto foi igualmente detido.
“Estamos a fazer um trabalho adicional e há indicações de que outros funcionários públicos possam estar envolvidos neste capítulo. O SERNIC será implacável na questão da criminalidade”, declarou Zaqueu Mucambe.
Este episódio surge em contradição com o conselho da Primeira‑Dama, Gueta Selemane Chapo, que tem apelado para que os recursos destinados às vítimas das cheias não sejam desviados e cheguem efectivamente às populações carenciadas. A Primeira‑Dama tem sublinhado que qualquer desvio compromete a sobrevivência das famílias que perderam os seus meios de subsistência e que a solidariedade deve ser acompanhada de responsabilidade e transparência.
As recentes cheias em Gaza afectaram mais de 80 mil pessoas, que necessitam de apoio urgente em alimentos, abrigo e bens essenciais. Os donativos desviados destinavam‑se a centros de acolhimento, mas acabaram retidos e escondidos pelos suspeitos, agravando a situação das comunidades mais vulneráveis.
O caso expõe fragilidades na gestão da ajuda humanitária e reforça a necessidade de maior vigilância e responsabilização dos agentes públicos envolvidos na resposta às calamidades.





