Moçambique está a acolher, de 17 a 21 de Novembro, a Semana Internacional de Segurança Cibernética, um evento organizado pelo Ministério das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), através do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC). A iniciativa decorre na Procuradoria-Geral da República, em Maputo, reunindo especialistas nacionais e internacionais do sector digital.
A Semana consolida a Conferência Nacional de Segurança Cibernética e a Reunião Nacional da Rede de CSIRTs, criando uma plataforma anual dedicada à monitorização da resiliência cibernética e ao debate sobre ameaças emergentes.
País discute protecção de dados, IA e centros de dados
A conferência inclui debates sobre proteção de dados, Inteligência Artificial (IA), centros de dados, computação em nuvem e diplomacia cibernética, envolvendo representantes de governos africanos, empresas de telecomunicações, universidades e organizações multilaterais.
A sessão de abertura foi dirigida pelo Presidente do Conselho de Administração do INTIC, Prof. Doutor Lourino Chemane, e contou com a participação de delegações do Togo, União Europeia, Banco Mundial, ITU, FIRST e várias instituições públicas e privadas.
“Estas iniciativas visam consolidar a Rede Nacional de CSIRTs”
Na sua intervenção, Lourino Chemane destacou que o encontro integra a Segunda Reunião Nacional das Equipas de Resposta a Incidentes (CSIRTs), acompanhada de formações técnicas para instituições públicas e privadas.
“Estas iniciativas visam consolidar a Rede Nacional de CSIRTs, promover debates sobre o ambiente de segurança digital e reforçar a capacitação técnica para a criação e gestão de equipas institucionais e sectoriais”, disse Lourino Chemane
O PCA do INTIC recordou que Moçambique realiza conferências nacionais de ciber-segurança desde 2018, reforçando progressivamente o seu posicionamento regional na defesa digital.
IA sob escrutínio: riscos, oportunidades e ameaças emergentes
No dia 18 decorreu o painel “Inteligência Artificial na Segurança Cibernética: Oportunidades, Desafios e Riscos Emergentes”, moderado por Constantino Sotomane.
O keynote speaker, Carlos Amoako (Alpha Vectra Technologies), alertou para a crescente complexidade das ameaças:
“A IA está a acelerar processos, mas também a reduzir o controlo sobre a segurança cibernética. É fundamental combater a desinformação, proteger infra-estruturas e implementar antivírus robustos.”
Por sua vez, Lawrance Muchilwa (FIRST) destacou o potencial e os riscos:
“A IA tem potencial enorme, mas muitos utilizadores recorrem à tecnologia para desinformação e acções prejudiciais. Precisamos estar atentos.”
Já Ricardo Custódio, director do LabSEC da Universidade Federal de Santa Catarina (intervenção apresentada pelo PCA do INTIC), sublinhou:
“A interseção entre IA e cibersegurança é uma fronteira crítica para a autonomia tecnológica e para a segurança nacional.”
Estratégias nacionais de IA e segurança digital em análise
A oitava sessão, moderada por Orlando Zobra (ENPCT), juntou Lawrance Muchilwa e Eugénio Macumbe (INTIC) para discutir “Estratégias de Inteligência Artificial e Segurança Cibernética”.
Muchilwa realçou que a IA deve integrar visão estratégica:
“As empresas precisam de estratégias integradas, políticas públicas e inovação tecnológica para garantir defesa eficaz perante a nova geração de ameaças.”
Eugénio Macumbe destacou o trabalho em curso:
“O MCTD e o INTIC têm promovido a elaboração de instrumentos orientadores, legais e regulamentares para garantir um ecossistema cibernético seguro, inclusivo e resiliente.”
O INTIC reiterou o compromisso com uma IA ética, inclusiva e centrada no cidadão.
Geopolítica e soberania digital em debate
A sessão sobre Geopolítica e Ciberdiplomacia reuniu Audrey Mnisi, Claudia Manjate (Vodacom), Carlos Lucas Mamboza (INEST/UFF) e o keynote speaker Francisco Nina Rente (Artresilia, Portugal).
Nina Rente sublinhou:
“A soberania digital deve ser entendida como um bem colectivo. Todos os países precisam ter capacidade de proteger os seus sistemas e dados.”
Audrey Mnisi destacou a importância da cooperação global:
“Os crimes cibernéticos não têm fronteiras. É essencial implementar leis que permitam cooperação internacional efectiva.”
Claudia Manjate focou-se na resiliência digital:
“É preciso capitalizar o que já temos e garantir que os dados sejam armazenados dentro dos países, com ecossistemas digitais resilientes.”
Carlos Lucas Mamboza alertou para os desafios estruturais:
“A independência digital exige investimento em literacia, soluções académicas e regulação proactiva.”
Mais mulheres na cibersegurança: mentoria e mudança de mindset
A Semana inclui também formações e programas de mentoria para jovens mulheres, com o objectivo de aumentar a participação feminina na cibersegurança.
As intervenções destacaram três prioridades:
reduzir a sub-representação feminina em STEM;
criar modelos de mentoria e liderança;
promover mudança de mentalidades em instituições tecnológicas.
Especialistas do FIRST, União Europeia e organizações nacionais defenderam que equipas diversas fortalecem a capacidade de resposta a incidentes.
Moçambique reforça postura nacional de defesa digital
Ao longo dos cinco dias, a Semana Internacional de Segurança Cibernética pretende reforçar a resiliência digital do país, consolidar equipas de resposta a incidentes e promover cooperação entre países africanos e entidades multilaterais. O evento é considerado um passo importante para o fortalecimento da postura nacional de defesa digital, num contexto global marcado por riscos tecnológicos e ameaças transfronteiriças crescentes.





