Face à crise humanitária provocada pelas cheias e inundações que afectaram várias regiões do país, o Governo de Moçambique desencadeou uma resposta nacional robusta, marcada por liderança presidencial, mobilização institucional, solidariedade popular e apoio internacional.
Liderança presidencial: Daniel Chapo no terreno
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, cancelou a sua participação no Fórum Económico Mundial de Davos para permanecer no país e liderar pessoalmente as operações de resgate e coordenação no terreno.
Durante um sobrevoo às zonas inundadas de Gaza, participou directamente numa operação de salvamento que retirou 12 pessoas isoladas no topo de uma viatura cercada pelas águas.
“Os bens podem ser recuperados, mas a vida humana não. A vida não tem segunda época. Tudo o resto pode ser reconstruído”, declarou Daniel Chapo.
Em visitas a centros de acolhimento na Manhiça e Marracuene, agradeceu às famílias por terem acatado as mensagens das autoridades:
“Quero agradecer por terem acatado as mensagens das autoridades e saído das zonas de risco antes das águas subirem, o que permitiu salvar vidas.”
Criação da Sala de Operações de Emergência na Presidência
Foi criada uma Sala de Operações de Emergência na Presidência da República, destinada a centralizar informação, coordenar sectores governamentais e permitir decisões rápidas e eficazes.
Segundo a Presidência, a estrutura reforça a capacidade de resposta do Estado e garante acompanhamento permanente da situação.
Mobilização de empresas estatais
Empresas públicas estratégicas estiveram em campo:
- A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) entregou donativos e meios aéreos ao INGD, incluindo 30 sanitários móveis, 100 tendas, 1.500 colchões, mantas e redes mosquiteiras, além de toneladas de arroz, farinha e feijão.
“Queremos transmitir uma mensagem de conforto e solidariedade às vítimas das inundações e encorajar entidades públicas e privadas a unirem‑se ao INGD”, afirmou Tomás Matola, PCA da HCB.
- A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) activou voos extraordinários Maputo–Xai‑Xai, transportando 949 passageiros em 66 voos durante o corte da EN1, com tarifa subsidiada de 4.000 meticais.
- Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) asseguraram transporte de bens e apoio logístico às zonas isoladas, reforçando a cadeia de abastecimento.
Solidariedade nacional
A Assembleia da República canalizou 2,7 milhões de meticais para apoiar as vítimas.
“É um gesto de irmandade e responsabilidade institucional, que visa apoiar o Governo e as entidades de gestão de desastres num momento em que milhares de famílias enfrentam enormes dificuldades”, declarou Margarida Talapa, Presidente da Assembleia da República.
A Primeira‑Dama Gueta Selemane Chapo visitou centros de acolhimento em Boane, onde passou a noite junto das famílias deslocadas e distribuiu bens alimentares, roupas e produtos de higiene.
“Queremos ver os nossos filhos bonitos e felizes. Viemos apoiar, porque temos muitas crianças aqui e gostaríamos que estivessem nas suas próprias casas, mas por causa da chuva estão neste lugar”, afirmou.
Partidos políticos também se mobilizaram: a Frelimo doou 10 toneladas de alimentos, abriu delegações como centros de acolhimento e disponibilizou pães diários em centros de acolhimento; a RENAMO realizou acções solidárias na Machava Pinheiros; e o ANAMOLA abriu delegações como centros de acolhimento.
Solidariedade internacional
Moçambique mobilizou apoio internacional de forma significativa:
- Ruanda doou 20 toneladas de bens alimentares, artigos diversos e suplementos de saúde.
“Moçambique atravessa uma fase complicada e precisa do apoio de todos nós. Vamos todos abraçar esta causa”, afirmou o Embaixador Donald Ndamage. “Esta doação chega num momento crítico e vai reforçar a nossa capacidade de resposta”, acrescentou César Tembe, Director da Divisão de Prevenção e Mitigação do INGD.
- A TotalEnergies anunciou a doação de 200 milhões de meticais ao Governo, destinada a apoiar populações afectadas em várias províncias.
O Presidente Daniel Chapo agradeceu o gesto, sublinhando que a solidariedade demonstrada é um exemplo de parceria responsável entre o sector privado e o Estado.
- A União Europeia entregou 90 toneladas de bens humanitários, beneficiando até 50 mil pessoas.
- A Noruega e a União Europeia disponibilizaram conjuntamente 2,85 milhões de euros, canalizados para a OIM, Cruz Vermelha e Conselho de Refugiados da Noruega, garantindo abrigo, água potável, saneamento e assistência financeira directa.
“Moçambique é um dos países mais afectados pelas mudanças climáticas, sem ter culpa pela crise. Quando uma catástrofe como esta acontece, é essencial que a Noruega ajude onde puder”, afirmou Åsmund Aukrust, Ministro do Desenvolvimento da Noruega.
- Portugal mobilizou uma equipa militar e disponibilizou 300 mil euros para apoio humanitário imediato.
“Quando Moçambique enfrenta momentos de grande adversidade, Portugal responde com solidariedade, proximidade e acção”, destacou a nota oficial.
- Os Embaixadores Africanos acreditados em Moçambique entregaram 15 mil dólares ao INGD.
“Este apoio chega numa altura em que milhares de famílias enfrentam situações extremamente difíceis. A solidariedade africana representa um sinal claro de compromisso com o povo moçambicano”, afirmou Luísa Celma Meque, Presidente do INGD.
- Os Estados Unidos da América reforçaram a cooperação com Moçambique, alinhando novas estratégias de apoio agrícola e humanitário. Além disso, fruto da diplomacia activa de Daniel Chapo, anunciaram a disponibilização de 1 milhão de dólares em assistência humanitária para resposta imediata às cheias.
“Manifestamos solidariedade com o povo moçambicano e estamos a acompanhar a situação em coordenação com o Governo de Moçambique, apoiando esforços para proteger comunidades e salvar vidas”, refere a declaração oficial dos EUA.
Este apoio soma-se ao Memorando de Entendimento em Saúde, assinado em Washington, avaliado em 1,7 mil milhões de dólares, que prevê o reforço do Serviço Nacional de Saúde, a eliminação de doenças endémicas e a modernização do sector.
“Este instrumento reforça a solidez da parceria estratégica entre Moçambique e os Estados Unidos e reflecte a confiança mútua entre os dois Governos”, afirmou Maria Manuela Lucas, Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
Força Total e Mobilização Contínua
A resposta nacional às cheias demonstrou que o Governo não parou: actuou com força total, mobilizou recursos internos e internacionais e reforçou a solidariedade nacional. Desde o cancelamento da ida do Presidente Daniel Chapo a Davos para liderar pessoalmente operações de resgate, até à criação da Sala de Operações de Emergência na Presidência, ficou claro que a prioridade absoluta é salvar vidas e proteger comunidades.
O país mostrou capacidade de liderança, resiliência e união, transformando a crise numa oportunidade de cooperação e reconstrução colectiva. Empresas públicas como a HCB, LAM e CFM estiveram na linha da frente; o Parlamento e a Primeira‑Dama reforçaram a solidariedade interna; partidos políticos mobilizaram acções concretas; e parceiros internacionais como a União Europeia, Ruanda, TotalEnergies, Banco Mundial, SADC, ONU, Portugal, Noruega, EUA e países africanos canalizaram apoios em bens, fundos e meios logísticos.
Este movimento conjunto evidencia que Moçambique não está sozinho. O Governo continua a mobilizar fundos, parcerias e apoios internacionais, garantindo que a resposta não se limita ao socorro imediato, mas se estende à reconstrução de infra‑estruturas, ao restabelecimento de serviços básicos e ao fortalecimento da resiliência das comunidades.
Assim, a crise das cheias está a ser enfrentada com uma estratégia nacional integrada, que alia liderança política, solidariedade popular e cooperação internacional. O compromisso é claro: não deixar ninguém para trás e transformar a adversidade numa oportunidade de reconstrução e desenvolvimento sustentável.





