O Conselho Jurisdicional da Renamo anunciou a suspensão de António Pedro Muchanga da qualidade de membro do partido, medida que o impede de usar os símbolos da Perdiz ou falar em nome da organização.
A deliberação surge poucos dias depois de Muchanga ter‑se juntado aos desmobilizados e a outros membros seniores, como Alfredo Magumisse, para exigir a renúncia do presidente da Renamo, Ossufo Momade. As críticas apontavam para má governação, tribalismo e perseguição interna, acusações que intensificaram a crise no seio do partido.
Motivos da suspensão e violação dos estatutos
Segundo o porta‑voz do Conselho Jurisdicional, Edmundo Panguene, Muchanga violou os estatutos ao:
- Desobedecer deliberadamente às orientações dos órgãos do partido;
- Proferir palavras ofensivas contra Ossufo Momade;
- Instrumentalizar antigos combatentes e desmobilizados para uso abusivo das sedes da Renamo;
- Promover campanhas com agenda de ataque e descrédito à organização.
Consequências internas e crise de liderança
O Conselho sublinhou que a actuação de Muchanga tem trazido instabilidade ao partido, razão pela qual foi suspenso. Durante este período, Muchanga não poderá:
- Falar em nome da Renamo;
- Usar os símbolos da Perdiz;
- Ser eleito ou eleger para qualquer órgão da organização.
Caso não cumpra estas medidas, poderá ser expulso definitivamente.
A suspensão insere‑se num quadro mais amplo de contestação à liderança de Ossufo Momade. Desmobilizados e membros seniores da Renamo têm convocado iniciativas para exigir mudanças, incluindo a realização de um congresso extraordinário. O porta‑voz dos desmobilizados, Abdul Machava, afirmou que o objectivo é “encontrar um mecanismo para afastar Ossufo Momade, porque ele já tem de sair”.





