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Parlamento moçambicano abre III Sessão Ordinária com foco em democracia e justiça social

Parlamento moçambicano abre III Sessão Ordinária com foco em democracia e justiça social

Por Redacção Checka Moz.

A Assembleia da República abriu a sua III Sessão Ordinária da X Legislatura, num acto solene presidido pela Presidente Margarida Talapa Adamugi, que reafirmou o compromisso do Parlamento com a fiscalização responsável, a produção legislativa e a promoção da paz social como pilares para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Na sua intervenção, Margarida Talapa destacou que o Parlamento deve ser espaço de pluralidade e diálogo construtivo:

“Apelo aos meus Pares a pautarem a sua acção por elevado rigor, sentido de responsabilidade e profundo respeito pelas diferenças de opinião. Que o debate parlamentar seja vivo, plural e firme, mas sempre saudável, construtivo e orientado para o interesse nacional”, afirmou.

Talapa sublinhou ainda que a diplomacia parlamentar será reforçada, com maior cooperação interparlamentar na SADC, CPLP e outras regiões, para mobilizar recursos e apoiar populações afectadas por desastres naturais e terrorismo.

Posições das bancadas parlamentares

FRELIMO

O chefe da bancada, Feliz Sílvia, alertou para os impactos das mudanças climáticas e defendeu medidas estruturais:

“A localização geográfica do nosso País permite transformar a abundância de recursos hídricos numa oportunidade para impulsionar a produção agrícola e a geração de energia, através da construção de barragens, represas e bacias de retenção”, disse.

Sílvia acrescentou que o programa de reconstrução pós‑cheias deve privilegiar infra‑estruturas resilientes e transparentes, evitando obras abandonadas.

MDM

O líder da bancada, Fernando Bismarque Ali, reforçou a necessidade de maior fiscalização:

“Exigimos ao Governo a partilha com o Parlamento do Relatório da Auditoria Forense realizada na LAM. É urgente criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para salvaguardar o interesse público”, afirmou.

Ali criticou ainda o sistema nacional de saúde, que considera obsoleto, e alertou para a crise na educação:

“Se a educação não for reposicionada como prioridade estratégica, o país poderá estar a comprometer sua própria coesão social.”

PODEMOS

O chefe da bancada, Sebastião Mussanhane, destacou que saúde e educação devem ser tratadas como investimentos estratégicos:

“Um país doente não produz, não aprende, não cresce. É preciso execução efectiva, transparência na gestão dos recursos e combate à corrupção na aquisição de medicamentos e equipamentos”, disse.

Sobre educação, acrescentou:

“A educação não é mera política sectorial; é fundamento constitucional, motor da produtividade económica e pilar da coesão nacional.”

RENAMO

O líder da bancada, Jerónimo Malagueta Nalia, apelou para que as novas leis da comunicação social não sejam instrumentos de perseguição:

“Espera‑se que estes instrumentos não sejam um colete‑de‑forças que, no lugar de engrandecer a actividade, sirvam para sufocá‑la e perseguir os profissionais da comunicação social”, afirmou.

Malagueta criticou também as propostas de leis de crimes cibernéticos:

“O seu conteúdo tende mais para menos liberdade e menos acesso aos meios internautas, propiciando perseguição e criminalização da actividade comum nesta era digital.”

Agenda da Sessão

A Assembleia aprovou, por consenso, o rol de 21 matérias a serem apreciadas até 8 de Maio, incluindo:

  • Informações e Perguntas ao Governo
  • Revisão da Lei de Terras
  • Pacote legislativo da Comunicação Social
  • Propostas de Lei de Segurança Cibernética e de Crimes Cibernéticos
  • Medidas de reconstrução pós‑cheias

A abertura da III Sessão Ordinária evidenciou um Parlamento plural, com bancadas a apresentarem propostas e críticas sobre temas estruturantes como democracia, justiça social, educação, saúde, segurança alimentar e governação.

O tom das intervenções mostrou convergência na necessidade de reformas profundas e inclusivas, mas também divergências quanto às prioridades e métodos. O Parlamento reafirma, assim, o seu papel como casa do povo, espaço de debate democrático e de fiscalização da acção governativa, com o objectivo de construir consensos e promover o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

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