O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, anunciou que não será candidato à liderança do partido no próximo congresso, abrindo caminho para um novo ciclo de renovação interna.
O anúncio foi feito durante o Conselho Nacional da RENAMO, realizado em Nampula, e marcou o ponto mais alto de um encontro considerado por dirigentes e analistas como decisivo para o futuro político da organização. “No próximo congresso eu não vou concorrer”, afirmou Momade, diante dos delegados, justificando a decisão como um acto de responsabilidade política e de compromisso com a democratização interna.
O líder explicou que pretende garantir uma transição pacífica e transparente, respeitando os princípios estabelecidos nos estatutos do partido. “A RENAMO precisa de se reinventar e aproximar-se das novas gerações, mantendo a sua identidade e o compromisso com a democracia”, reforçou.
Rumo à renovação
A declaração de Momade foi recebida com aplausos e surpresa entre os delegados, que consideram o gesto um sinal de maturidade política e disposição para a mudança. Durante os trabalhos, os participantes aprovaram a revisão dos estatutos e um plano de reorganização interna, com vista a fortalecer as estruturas locais e promover maior inclusão da ala jovem.
O documento final do Conselho deverá ser submetido à Comissão Política Nacional nas próximas semanas e servirá de base para o próximo congresso, previsto para 2026.
Reacções internas
Membros do partido em Nampula consideram que a decisão de Momade abre espaço para o diálogo e para a unidade interna, depois de anos de tensão e disputas de liderança. “O gesto do presidente demonstra que a RENAMO está pronta para se renovar e preparar o futuro”, afirmou um dos delegados provinciais.
Analistas políticos apontam que a saída voluntária de Momade poderá redefinir o equilíbrio interno da oposição e reforçar a imagem institucional do partido, caso o processo de transição decorra com transparência.
Desafio de sucessão
A principal expectativa agora recai sobre quem sucederá Ossufo Momade e de que forma o partido gerirá o processo de eleição interna sem fracturas. Entre os possíveis nomes para a liderança, circulam referências a quadros jovens e figuras regionais com maior ligação às bases, sinalizando uma nova etapa na história do partido.
A realização do Conselho Nacional em Nampula, bastião histórico da RENAMO, reforça o simbolismo do momento. A escolha da cidade foi vista como um gesto de reconciliação com as origens e um apelo à coesão, num contexto em que o partido tenta reafirmar-se como alternativa política sólida.
Com a decisão de Momade, a RENAMO entra numa fase de transição controlada, com o desafio de equilibrar renovação e continuidade, preservando o legado de luta e assumindo o compromisso com um projecto político moderno, democrático e inclusivo.





