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CTA vê riscos económicos na interrupção das negociações com a Mozal

CTA alerta que a interrupção das negociações com a Mozal pode afectar a economia

Por Redacção Checka Moz.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) alertou para os riscos económicos associados à interrupção das negociações em torno do contrato da Mozal, defendendo a extensão do actual acordo como forma de salvaguardar a estabilidade da empresa, proteger o emprego e preservar os ganhos macroeconómicos para o país.

O posicionamento foi expresso esta semana, na cidade de Maputo, pelo presidente da CTA, Álvaro Massingue, durante um briefing de balanço económico, realizado no âmbito da apresentação dos principais indicadores macroeconómicos do ano.

Mozal considerada activo estratégico para a economia nacional

Segundo a CTA, a Mozal constitui um dos activos industriais mais relevantes do país, com impacto directo na balança comercial, na arrecadação de receitas, na cadeia de fornecimento local e na manutenção de milhares de postos de trabalho.

“A Mozal é um activo estratégico para a economia nacional, com impacto directo na balança comercial, na cadeia de fornecedores locais e na manutenção de milhares de empregos”, sublinhou Álvaro Massingue.

A organização empresarial defende que uma interrupção abrupta das negociações poderá gerar consequências severas, incluindo o encerramento de Pequenas e Médias Empresas (PME) que dependem da cadeia de valor da fundição de alumínio.

Extensão do contrato para criar espaço de diálogo

A CTA propôs que o contrato em vigor seja estendido por um período adicional de seis a doze meses, criando espaço para negociações aprofundadas e para a construção de soluções equilibradas entre o Governo, a Mozal e outros actores relevantes.

“A extensão do contrato permitiria criar condições para negociações mais aprofundadas e para a construção de acordos duradouros, tanto no médio como no longo prazos”, defendeu Massingue.

A confederação manifestou-se igualmente disponível para integrar o processo negocial, colocando a sua equipa técnica à disposição para contribuir na identificação de soluções que preservem o investimento, protejam o emprego e promovam o desenvolvimento económico sustentável.

Energia e competitividade industrial no centro do debate

De acordo com a CTA, uma solução sustentável passa por um acordo em torno de um preço de energia competitivo, integrado num pacote mais amplo de medidas estruturais.

“Uma solução sustentável para a Mozal passa por um acordo equilibrado sobre o preço da energia, integrado num pacote mais amplo que inclua, entre outras medidas, a disponibilização de pelo menos 40% do alumínio para o mercado doméstico”, afirmou o presidente da CTA.

A confederação considera que o reforço da participação de empresas nacionais na cadeia de valor da Mozal, incluindo fornecedores de bens e serviços, é fundamental para maximizar o impacto da indústria na economia moçambicana.

Necessidade de reformas estruturais

No mesmo contexto, Álvaro Massingue reiterou a necessidade de acelerar reformas fiscais, administrativas, jurídicas e sectoriais, com enfoque nos sectores da agricultura, indústria, turismo, PME, transportes e logística, bem como no acesso ao financiamento e às divisas.

“Precisamos de um Estado mais eficiente, previsível e transparente, que reduza riscos, estimule o investimento produtivo e fortaleça a competitividade da economia nacional”, alertou.

Segundo a CTA, os indicadores macroeconómicos e empresariais apontam para uma ligeira melhoria do ambiente económico ao longo do ano, embora persistam sinais de estagnação no terceiro trimestre.

Empresas mostram resiliência, mas desafios persistem

Dados do Índice de Robustez Empresarial, fixado em 26%, evidenciam simultaneamente a resiliência das empresas e os desafios persistentes relacionados com a procura, o emprego e o acesso a factores produtivos essenciais.

A CTA considera que a continuidade das negociações com a Mozal é determinante para evitar choques negativos adicionais na economia, num contexto ainda marcado por vulnerabilidades internas e externas.

A confederação defende que decisões equilibradas e orientadas para o diálogo poderão assegurar a estabilidade industrial, proteger o emprego e reforçar a confiança dos investidores no ambiente económico de Moçambique.

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