O Governo da província de Nampula decidiu criar uma comissão provincial de monitoria da malária, numa altura em que a província continua a enfrentar níveis elevados de prevalência da doença, apesar dos avanços registados com o apoio de parceiros nacionais e internacionais.
A decisão foi tomada durante o Fórum Anual Provincial da Malária, realizado esta semana na cidade de Nampula, e surge como resposta ao impacto persistente da doença numa província com cerca de seis milhões de habitantes.
De acordo com os dados apresentados no encontro, Nampula regista uma prevalência de cerca de 55 por cento de malária, a mais elevada do país, afectando de forma particular crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas, considerados os grupos mais vulneráveis.
Comissão integra 12 membros e aposta numa resposta integrada
A comissão provincial será composta por 12 membros, integrando o governador da província, antigos ministros da Saúde, a directora provincial da Saúde, o director provincial das Obras Públicas e outras personalidades ligadas à gestão pública e ao sector social.
O principal objectivo do órgão é reforçar a responsabilização colectiva no combate à malária, promovendo o envolvimento activo das instituições públicas, parceiros de cooperação e comunidades, de forma a garantir uma resposta mais coordenada, eficaz e sustentável.
As autoridades defenderam uma abordagem integrada e inclusiva, envolvendo o sector público, sector privado, academia, comunidades, organizações religiosas, sociedade civil e órgãos de comunicação social, considerados actores-chave no controlo da doença.
Plano Estratégico da Malária define metas até 2030
Durante o fórum foi igualmente destacado o Plano Estratégico da Malária 2023–2030, que estabelece metas ambiciosas para reduzir a incidência da doença, diminuir a mortalidade hospitalar e eliminar a transmissão local nos distritos classificados como de baixa transmissão.
Neste contexto, o Governo provincial comprometeu-se a reforçar a coordenação multissectorial, através da criação e dinamização de comités provinciais e distritais, com o objectivo de alinhar intervenções e maximizar os resultados no terreno.
Entre as prioridades definidas constam o mapeamento dos parceiros que intervêm no sector, a identificação de zonas prioritárias, a articulação de sinergias para assegurar cobertura integral dos distritos e o fortalecimento da logísticanecessária às acções de combate à malária.
Prevenção, ciência e educação no centro da estratégia
O Governo anunciou ainda o reforço das intervenções de prevenção, incluindo controlo vectorial, entomologia e monitoria da resistência aos insecticidas, com o objectivo de garantir que as políticas públicas sejam orientadas por evidências científicas.
No sector da Educação, será reforçada a inclusão de mensagens de sensibilização sobre prevenção e combate à malária nos conteúdos escolares. Está prevista a realização de sessões de cinco minutos, pelo menos duas vezes por semana, em todas as classes, com orientações sobre comportamentos preventivos.
As autoridades apelaram igualmente à população para a procura atempada de cuidados de saúde e para o uso correcto dos métodos de prevenção, sublinhando que o sucesso no combate à malária depende do envolvimento activo das comunidades.





