A presidente do Conselho Municipal da Cidade de Angoche, Dalila Abdul Raimo Ussene, morreu no Hospital Central de Nampula, vítima de doença prolongada, segundo avançou o órgão de comunicação local Angoche Mídia, que cita fontes próximas da família e da edil.
A morte da autarca encerra um percurso político marcado pela ascensão na governação municipal, pela aposta na modernização administrativa e por debates políticos que, ao longo do seu mandato, marcaram a província de Nampula.
Eleita nas eleições autárquicas de 2023 pelo partido FRELIMO, Dalila Ussene tomou posse a 7 de Fevereiro de 2024, tornando-se a primeira mulher a assumir a presidência do Conselho Municipal de Angoche desde a elevação da vila à categoria de município.
A sua eleição foi considerada histórica, tanto pela representatividade feminina como pela alternância política no município, anteriormente governado por forças ligadas à RENAMO.
A cerimónia de tomada de posse ficou também marcada pela ausência do edil cessante, Ossufo Raja, situação que na altura gerou interpretações políticas sobre o processo de transição.
Percurso académico e político
Nascida em Angoche há 50 anos, Dalila Abdul Raimo Ussene era casada e mãe de quatro filhos.
Filha de Abdul Raimo Ussene e Zagaja Aly, cresceu entre Angoche, Moma e Nampula.
Fez o ensino primário em Moma entre 1980 e 1984, prosseguindo depois os estudos em Angoche e mais tarde em Nampula, onde concluiu a licenciatura em Economia e Gestão pela Universidade Católica de Moçambique.
Nos últimos tempos, frequentava um curso de Administração Pública em regime online.
Antes de entrar para a política, foi empresária e construiu o seu percurso dentro da FRELIMO, partido ao qual se filiou em 1997, tendo integrado a Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e desempenhado funções na Assembleia da República como membro suplente.
Durante o seu mandato, Dalila Ussene destacou-se pela aposta na modernização administrativa e no reforço da economia local, com enfoque no cadastro das actividades económicas informais para aumentar a receita municipal.
A sua morte ocorre num momento em que o município de Angoche enfrentava desafios estruturais ligados à gestão urbana e ao desenvolvimento económico local.
Fonte: Ngani





