Moçambique e Zimbabwe reafirmaram, ontem, sexta-feira, em Maputo, o compromisso de acelerar projectos estruturantes que reforcem a integração económica regional, numa nova etapa da cooperação bilateral marcada pela aposta em corredores logísticos, infra-estruturas estratégicas e expansão de sectores de alto impacto para o desenvolvimento.
A declaração foi feita durante o banquete oferecido ao Presidente zimbabweano, Emmerson Dambudzo Mnangagwa, no âmbito da sua Visita de Estado a Moçambique, ocasião em que os dois Chefes de Estado sublinharam a centralidade do investimento em transportes, energia, agricultura, industrialização e digitalização para dinamizar o comércio e fortalecer as economias dos dois países.
Relação bilateral baseada em história comum e visão económica partilhada
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, destacou que a presença de Mnangagwa constitui “um testemunho vibrante da vitalidade das relações de amizade, solidariedade e cooperação” entre os dois povos. Recordou ainda que Moçambique e Zimbabwe são “nações irmãs, ligadas por laços históricos, culturais e geográficos”, construídos ao longo da luta pela liberdade e mantidos pelo compromisso conjunto com a paz e o desenvolvimento.
Chapo sublinhou que esses laços assentam em “pilares sólidos de boa vizinhança, respeito mútuo e cooperação fraterna”, que ambos os países têm o dever de preservar e aprofundar.
Corredores logísticos assumem papel central
No domínio económico, o Chefe de Estado moçambicano afirmou que sectores estratégicos como transportes, logística, recursos minerais, energia, agricultura, turismo, comércio e digitalização constituem áreas prioritárias para a transformação económica bilateral.
Chapo reiterou o “compromisso inequívoco” de Moçambique com a operacionalização dos corredores do Limpopo e da Beira, considerados decisivos para garantir previsibilidade e eficiência no fluxo comercial zimbabweano.
“Corredores eficientes são catalisadores da integração económica regional e motores essenciais para o crescimento do comércio intra-africano.” — Daniel Chapo
O estadista realçou ainda a importância de avançar com o Projecto do Porto de Techobanine e com a harmonização ferroviária no Zimbabwe, iniciativas vistas como essenciais para criar uma cadeia logística moderna, competitiva e alinhada às exigências da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
Mnangagwa: “A relação bilateral vai florescer”
Por seu turno, o Presidente Emmerson Dambudzo Mnangagwa afirmou sentir-se “honrado e privilegiado” por regressar a Moçambique, sublinhando que esta é a sua primeira Visita de Estado após a tomada de posse do Presidente Chapo.
“Este encontro constitui um testemunho da relação entre os dois países, de forma a acelerar o desenvolvimento partilhado e a prosperidade para os nossos povos.” — Emmerson Mnangagwa
O dirigente felicitou Chapo pelo “sucesso transformacional” que deseja ver materializado ao longo do mandato, acrescentando que dispõe de plena confiança de que “a relação entre Zimbabwe e Moçambique vai florescer”.
Mnangagwa destacou ainda que os dois países cooperam de forma consolidada em energia, transporte, segurança e gestão da vida selvagem, e indicou que o Zimbabwe está preparado para aprofundar sinergias em agricultura, educação, mineração, infra-estruturas, tecnologias e resiliência climática.
Nova fase de integração económica
A Visita de Estado integra a realização da 1.ª Sessão da Comissão Binacional Moçambique–Zimbabwe, criada após o encontro de Agosto em Chimoio, província de Manica, aquando da entrega do donativo do Zimbabwe às vítimas dos ciclones.
O programa inclui ainda o Fórum Económico Moçambique–Zimbabwe, que reunirá empresários e governantes dos dois países para fortalecer parcerias comerciais, criar plataformas de investimento e identificar novas oportunidades de industrialização conjunta.
Com a aposta renovada nos corredores, na logística regional e na expansão das áreas de cooperação económica, Moçambique e Zimbabwe posicionam-se para transformar o seu potencial geo-económico num verdadeiro eixo de crescimento e competitividade no contexto africano.





