Moçambique deu um passo decisivo no combate à malária com o lançamento oficial da expansão da vacina para todas as crianças entre os 6 e os 23 meses de idade, numa cerimónia realizada em Pemba e dirigida pelo Secretário de Estado na Província de Cabo Delgado, em coordenação com o Ministério da Saúde (MISAU). A iniciativa marca o início da inclusão universal da vacina no calendário nacional de vacinação.
A partir de 4 de Dezembro, todas as unidades sanitárias do país — com excepção da província e cidade de Maputo, onde a transmissão é considerada baixa — passam a disponibilizar a vacina como medida essencial de protecção infantil. A cerimónia de lançamento contou com intervenções institucionais, actuações culturais e peças de teatro comunitário, reforçando a necessidade de que nenhuma criança deve morrer de uma doença prevenível.
Aumento de casos reforça urgência da vacinação
Os dados nacionais demonstram a gravidade da situação. Nos primeiros nove meses de 2025, Moçambique registou 10 357 436 casos de malária, um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2024. Os casos graves também cresceram, atingindo 279 846, mais 5% do que no ano anterior.
A malária mantém-se como uma das principais causas de morte em crianças menores de cinco anos e contribui de forma significativa para a taxa de mortalidade infantil, actualmente em 60 por 1 000 nados vivos.
Em Cabo Delgado, a doença continua a ter um impacto particularmente forte: só entre Janeiro e Setembro foram notificados 1 075 175 casos e 39 óbitos. Para alterar este cenário, o Governo prevê vacinar 167 763 crianças na província até ao final do ano.
A vacina será administrada em quatro doses — aos 6, 7, 9 e 18 meses — é segura, gratuita e já adoptada por mais de 24 países africanos.
Cabo Delgado reforça acções de prevenção
Além da vacina, a província tem feito investimentos robustos na prevenção da malária:
1 710 761 redes mosquiteiras tratadas distribuídas gratuitamente;
90 180 mulheres grávidas receberam a quarta dose de Fansidar;
3 265 palestras comunitárias realizadas sobre prevenção da doença.
Estas medidas demonstram que a articulação entre comunidades, líderes locais e o sistema de saúde produz resultados concretos na redução de casos e mortes.
Estudos recentes indicam que cerca de 80% da população abrangida pelas campanhas de distribuição massiva possui pelo menos uma rede mosquiteira tratada, com prioridade para mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos — grupos particularmente vulneráveis.





