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Moçambique protege 2,9 milhões de raparigas contra o cancro do colo do útero

Moçambique alcança um marco histórico ao vacinar 2,9 milhões de raparigas contra o HPV.

Por Redacção Checka Moz.

O Governo de Moçambique, em colaboração com Gavi – Aliança das Vacinas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), alcançou um marco histórico na luta contra o cancro do colo do útero.

Mais de 2,9 milhões de raparigas moçambicanas, com idades entre 12 e 18 anos, receberam proteção essencial contra o Papilomavírus Humano (HPV), o principal agente causador da doença.

A iniciativa, implementada em todas as 11 províncias do país, consolida a integração da vacina contra o HPV no Programa Alargado de Imunização, introduzido pelo Ministério da Saúde em 2019, e representa um compromisso duradouro do Estado e dos seus parceiros internacionais com a saúde feminina e a prevenção de doenças evitáveis.

“A vacinação contra o HPV e a prevenção do cancro do colo do útero são, acima de tudo, prioridades de saúde pública. Começar cedo significa oferecer protecção a todas as raparigas em Moçambique antes de estarem em risco. Numa região onde muitas mulheres são diagnosticadas demasiado tarde, a expansão da vacinação mostra clarividência e empenho da liderança moçambicana.”, afirmou Severin von Xylander, Representante da OMS em Moçambique.

Segundo o Ministério da Saúde, o programa atingiu 95% da população-alvo, tornando-se uma das campanhas de imunização mais bem-sucedidas da África Austral. A iniciativa reforça não apenas o sistema de saúde, mas também a equidade de género, garantindo que raparigas de zonas rurais e urbanas tenham igual acesso a serviços de saúde preventivos.

A vacina que salva vidas

A nível global, o cancro do colo do útero é o quarto tipo de cancro mais comum entre mulheres, com cerca de 660 000 novos casos e 350 000 mortes anuais.

“Com apenas uma dose, a vacina contra o HPV oferece uma forte protecção contra o cancro do colo do útero, uma das principais causas de morte evitáveis entre as mulheres em todo o mundo”, explicou Thierry Vincent, Director Nacional da Gavi em Moçambique.

Em Moçambique, é a principal causa de morte por cancro entre mulheres em idade reprodutiva, provocando cerca de 4 000 óbitos por ano.

A introdução da vacina representa uma mudança de paradigma: em vez de apenas tratar casos avançados, o país aposta na prevenção precoce, reduzindo o impacto económico e emocional da doença sobre as famílias.

“Mais de 2,9 milhões de raparigas juntaram-se agora a um esforço global crescente para mudar a trajectória desta doença devastadora”, acrescentou Thierry Vincent, salientando que o sucesso moçambicano “reflecte um esforço mais amplo da Gavi para proteger vidas em países com maior vulnerabilidade”.

Um investimento para o futuro

O êxito da vacinação significa menos diagnósticos tardios, menos mortes evitáveis e menos custos para o sistema nacional de saúde.

A OMS estima que a imunização precoce possa reduzir em mais de 70% os casos de cancro do colo do útero até 2040, se a cobertura se mantiver acima de 90%.

“Nenhuma mulher ou menina deve perder o seu futuro por causa de uma doença evitável. O UNICEF está empenhado em proteger e promover a saúde das raparigas e mulheres, e este lançamento bem-sucedido da vacina contra o HPV é uma parte crucial desse compromisso”, afirmou Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique.

Ao imunizar milhões de adolescentes, Moçambique avança para uma nova era de prevenção e saúde pública, reduzindo o peso da doença sobre as famílias e garantindo um futuro mais saudável para as próximas gerações.

Severin von Xylander sublinhou que a iniciativa “mostra que o investimento em prevenção é o caminho mais eficaz para salvar vidas e alcançar o desenvolvimento sustentável”.

“Este esforço conjunto demonstra que, juntos, é possível transformar vidas, promover a igualdade e proteger as gerações futuras em Moçambique do cancro do colo do útero”, concluiu o comunicado conjunto do MISAU, Gavi, UNICEF e OMS.

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