Moçambique alcançou um feito histórico e sem precedentes na sua trajectória financeira internacional: até ao dia 30 de março de 2026, o país liquidou integralmente a dívida que mantinha com o Fundo Monetário Internacional (FMI), tornando-se o único país entre mais de 80 nações devedoras a zerar totalmente a sua posição devedora junto à instituição multilateral.
Segundo dados oficiais do FMI, até 28 de fevereiro de 2026, Moçambique devia 514,04 milhões de Direitos Especiais de Saque (SDRs), o que equivale hoje (31 de Março de 2026) a mais de 695 milhões de dólares americanos (1 SDR = 1,41 USD). No entanto, já no final de março, este saldo foi completamente liquidado, sinalizando disciplina fiscal, responsabilidade e compromisso com a estabilidade macroeconómica.
Este pagamento integral coloca Moçambique num grupo único de países que conseguiram eliminar totalmente a sua dívida com o FMI, enquanto nações como Argentina (41,7 mil milhões de dólares) e Ucrânia (10,9 mil milhões de dólares) ainda mantêm elevados saldos.
Um passo histórico para a credibilidade internacional
Especialistas consideram que a quitação total da dívida fortalece significativamente a credibilidade externa de Moçambique e abre caminho para negociações futuras com condições mais favoráveis, além de reforçar a confiança de investidores e doadores.
O economista Roberto Tibana destacou a magnitude da decisão:
“Durante março, o país liquidou toda a dívida de uma única vez. Não se tratou de pagamentos parciais, mas de um gesto firme que demonstra compromisso e disciplina. Moçambique não precisava fazer isto; o calendário de pagamentos para os próximos cinco anos previa parcelas anuais de até 134,4 milhões de dólares, com juros muito abaixo do mercado. Optar por pagar tudo de imediato é um acto sem precedente na história económica do país e de muitos outros países de baixa renda.”
Segundo Roberto Julio, ao quitar integralmente a dívida, Moçambique passa a ser o país mais pobre do mundo a conseguir eliminar a sua obrigação total com o FMI de forma imediata, demonstrando força financeira e disciplina fiscal impressionantes.
Contexto internacional
Enquanto Moçambique avançava para zerar a sua dívida, outros países mantinham ou aumentavam os seus saldos devedores. Durante março, o FMI desembolsou cerca de 1,17 mil milhões de dólares a diversas nações, incluindo a Ucrânia, que recebeu mais de 1,1 mil milhões. Por outro lado, os reembolsos globais somaram 1,22 mil milhões, resultando numa ligeira redução do crédito total pendente da instituição.
Moçambique, diferentemente de muitas nações, escolheu o caminho da disciplina e do compromisso, mostrando que, mesmo em contextos de recursos limitados, é possível honrar compromissos internacionais e fortalecer a imagem do país no cenário global.
Fonte: Fundo Monetário Internacional – https://www.imf.org/external/np/fin/tad/balmov2.aspx?type=TOTAL





