O Governo de Moçambique e o Grupo Banco Mundial oficializaram o novo Quadro de Parceria 2026‑2031, que prevê mobilizar cerca de 6 mil milhões de dólares em investimento público e 4 mil milhões de dólares em investimento privado, com foco na criação de empregos, na resiliência económica e na resposta a choques climáticos.
O Conselho de Administração do Banco Mundial aprovou em Janeiro o novo Country Partnership Framework (CPF) para Moçambique, válido para o quinquénio 2026‑2031. O programa centra‑se no crescimento inclusivo, no fortalecimento de capacidades e no desenvolvimento resiliente, num momento em que o país enfrenta desafios climáticos e económicos significativos.
Este quadro orienta a cooperação entre o Banco Mundial e o Governo de Moçambique, alinhando‑se com as prioridades nacionais e com uma estratégia centrada em promover transformação económica sustentável, criação de emprego e reforço da estabilidade macroeconómica.
Orientação presidencial e prioridades
O Director da Divisão do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, disse:
“O presidente deu uma mensagem muito forte: execução, execução, execução, para garantir que acelerássemos a implementação desta grande carteira.”
Segundo Sissoko, o Banco Mundial já dispõe de uma carteira de 3 mil milhões de dólares e espera mobilizar mais 3 mil milhões, além de 4 mil milhões para o sector privado, com grande parte em forma de subvenções para apoiar a estratégia de desenvolvimento do país.
O novo CPF contempla apoios significativos ao desenvolvimento do país. Diversas fontes indicam que o Banco Mundial planeia mobilizar até cerca de 2,5 mil milhões de dólares em instrumentos financeiros, incluindo empréstimos, concessões e garantias, destinados a apoiar sectores estratégicos e catalisar o investimento privado.
Paralelamente, foi igualmente aprovado um fundo de aproximadamente 450 milhões de dólares através da Janela de Prevenção e Resiliência (Prevention and Resilience Window), destinado a reforçar a capacidade de resposta às adversidades económicas e ambientais, incentivar emprego e apoiar políticas públicas prioritárias.
Apoio imediato às cheias
Sissoko sublinhou que o Banco Mundial vai reforçar o apoio às comunidades afectadas pelas recentes inundações:
“Nos próximos meses vamos mobilizar 200 milhões de dólares para apoiar o programa do Governo face às cheias, e dependendo das necessidades poderemos escalar este apoio.”
O Banco Mundial e o Governo acordaram criar um Conselho do Sector Privado para dinamizar o diálogo e desbloquear investimentos.
“Queremos uma plataforma de engajamento com o sector privado para superar desafios e abrir oportunidades de investimento”, disse Sissoko.
Compromisso do Governo
A Ministra das Finanças, Carla Louveira, disse:
“Este quadro de parceria visa assegurar a consolidação macro‑fiscal e a retoma do crescimento económico, com uma perspectiva bastante positiva para Moçambique.”
Louveira destacou três linhas de financiamento:
- 6 mil milhões de dólares para investimento público.
- 4 mil milhões de dólares para o sector privado, através do IFC e da
- 921 milhões de dólares para consolidação macro‑fiscal.
A ministra acrescentou que o Banco Mundial disponibilizou ainda uma linha de prevenção e resiliência de 450 milhões de dólares e uma linha emergencial de 20 milhões de dólares já desembolsada, destinada ao INGD e a ministérios estratégicos para acções de emergência, incluindo aquisição de alimentos, medicamentos e produtos sanitários.
Com foco em energia, agronegócio e turismo, a parceria pretende transformar o potencial natural e económico do país em mais e melhores empregos, sobretudo para jovens e mulheres, consolidando Moçambique como um pólo de resiliência e crescimento inclusivo na África Austral.





