Moçambique deu um passo decisivo para a reabilitação da lixeira de Hulene, com a mobilização de 11,2 milhões de dólares norte-americanos doados pelo Governo da República da Coreia. A iniciativa foi apresentada esta terça-feira, 9 de Dezembro, durante uma audiência concedida pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, a uma delegação da K-Eco (Korea Environment Corporation), entidade sul-coreana especializada em gestão ambiental, tratamento de resíduos sólidos e de águas, e implementação de tecnologias verdes.
A missão da K-Eco tem como objectivo avaliar as condições técnicas e ambientais para a reabilitação completa da lixeira, com enfoque na instalação de um sistema de recolha e tratamento de gás de aterro, estabilização do local e reforço das taludes e das respectivas estruturas civis.
As acções incluem ainda o reforço do sistema de controlo de lixíviados e a melhoria das condições de saúde pública das comunidades circunvizinhas, historicamente afectadas pela degradação ambiental do local.
Intervenção será implementada em três fases até 2028
O projecto, financiado pelo Governo da República da Coreia, será executado em três fases principais:
- Realização de estudos de viabilidade socioeconómica;
- Tratamento de gases e estabilização das taludes;
- Promoção de educação ambiental participativa, dirigida aos utentes da lixeira e às comunidades vizinhas, com enfoque na prevenção de riscos e boas práticas de manuseio de resíduos.
De acordo com o cronograma apresentado, o início das actividades está previsto para Março de 2026, com conclusão marcada para Junho de 2028.
Uma intervenção necessária após o colapso de 2018
A lixeira de Hulene, localizada nos arredores da cidade de Maputo, ganhou notoriedade internacional após o seu colapso em 2018, provocado por chuvas intensas, que resultou na morte de 17 pessoas residentes nas proximidades. Desde então, o local tem sido alvo de várias propostas de reabilitação, cuja implementação dependeu da mobilização de financiamento e de assistência técnica adequada.
A actual iniciativa representa a intervenção mais estruturada dos últimos anos, com potencial para reduzir riscos ambientais, melhorar a segurança das comunidades e estabelecer bases para uma gestão mais sustentável dos resíduos sólidos urbanos na capital.





