Moçambique deu um passo significativo no combate ao HIV com a introdução do Lenacapavir, um medicamento injectável inovador que pode reduzir em mais de 99% o risco de infecção.
O lançamento oficial teve lugar esta quarta-feira, no município da Matola, província de Maputo, marcando a entrada do país no grupo de nações que já adoptam esta tecnologia de prevenção de última geração.
Na ocasião, o Ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, destacou que a introdução do fármaco representa um marco estratégico no controlo da epidemia.
Segundo o governante, o Lenacapavir vem reforçar a abordagem de prevenção combinada, oferecendo alternativas mais eficazes e adaptadas às necessidades da população, sobretudo em grupos de maior risco.
O medicamento é administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma vantagem operacional relevante face a métodos tradicionais que exigem maior regularidade, aumentando a adesão e a eficácia das estratégias preventivas.
Pressão epidemiológica mantém-se elevada
Apesar dos avanços, os dados continuam a evidenciar a dimensão do desafio. Em 2024, o país registou cerca de 92 mil novas infecções, incluindo 15 mil casos entre adolescentes e jovens dos 10 aos 19 anos.
Este cenário reforça a necessidade de acelerar soluções inovadoras e ampliar o acesso a ferramentas de prevenção, sobretudo entre populações vulneráveis.
A nova tecnologia será introduzida de forma gradual em 55 unidades sanitárias, abrangendo 15 distritos das províncias da Zambézia, Maputo e Cidade de Maputo.
As autoridades de saúde sublinham que o Lenacapavir não substitui outras formas de prevenção, mas complementa o leque existente, incluindo preservativos, testagem regular e outras terapias profilácticas.
Impacto social e mobilização comunitária
Durante a cerimónia, o administrador da Matola, Gilion Michila, destacou o potencial transformador da iniciativa, sublinhando que o lançamento do medicamento representa não apenas um avanço clínico, mas também uma nova esperança para as comunidades.
Por sua vez, especialistas do sector da saúde enfatizam que o sucesso da implementação dependerá do envolvimento activo da população, da literacia em saúde e do reforço da confiança nos serviços sanitários.
Com esta iniciativa, Moçambique junta-se a países da região como Eswatini, Zâmbia e Zimbabwe na adopção de soluções inovadoras para travar a epidemia, num contexto em que a inovação tecnológica se afirma como elemento central na resposta global ao HIV.
Fonte: MISAU e AIM





