O Procurador-Geral da República, Américo Letela, alertou para o agravamento dos crimes contra a vida em Moçambique, com destaque para o aumento significativo dos casos de homicídio voluntário registados em 2025.
De acordo com o Informe Geral do Ministério Público, no período em análise foram instaurados 2.044 processos de homicídio voluntário, contra 1.566 registados no ano anterior, o que representa um aumento de 478 casos, equivalente a 30,5%.
As províncias da Zambézia (507 casos), Tete (284) e a Cidade de Maputo (222) lideram o registo de ocorrências, sendo apontadas como as regiões mais críticas no mapa da criminalidade contra a vida.
O relatório sublinha que os crimes de homicídio continuam a representar a forma mais grave de violação dos direitos fundamentais, por atentarem directamente contra o valor supremo protegido pela Constituição: a vida humana. O Ministério Público alerta que a sua persistência fragiliza a confiança dos cidadãos nas instituições de justiça e compromete a estabilidade social.
Entre as principais causas identificadas estão conflitos interpessoais, violência baseada no género, consumo excessivo de álcool e drogas, crenças supersticiosas, vingança e ganância, bem como a associação com criminalidade organizada.
O documento destaca ainda que muitos homicídios estão relacionados com crimes de roubo, incluindo situações em que as vítimas são mortas por bens de baixo valor, como telemóveis, bicicletas e motorizadas, evidenciando o nível de violência crescente.





