O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, apelou ao envolvimento de estudantes de engenharia no desenho, construção e fiscalização de estradas, como parte de uma estratégia para melhorar a qualidade das infra-estruturas rodoviárias em Moçambique.
A iniciativa foi apresentada durante uma visita ao Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC), onde o governante deu a conhecer três projectos estruturantes previstos para os próximos anos no sector.
Segundo explicou, a inclusão dos estudantes visa não só reforçar a capacidade técnica nacional, como também garantir maior rigor na execução das obras e na gestão dos recursos públicos.
“É para assegurar a qualidade das obras e boa aplicação dos recursos financeiros do país”, disse João Matlombe.
Infra-estruturas fortes como prioridade
O ministro destacou a necessidade de o país apostar em infra-estruturas resilientes, capazes de resistir a fenómenos climáticos extremos, recordando os impactos recentes das chuvas intensas que condicionaram a circulação na Estrada Nacional Número Um (N1).
“Precisamos de soluções. Não podemos passar a vida a lamentar”, sublinhou, defendendo a adopção de modelos já implementados em países como Madagáscar e Filipinas.
Entre os projectos apresentados constam o Programa Acelerado de Reabilitação e Construção de Estradas Nacionais, o Programa de Construção de Estradas Rurais e o Projecto de Estrada Alternativa à N1, considerados fundamentais para garantir maior conectividade no território.
Menor dependência da N1
Matlombe alertou ainda para os riscos de dependência de uma única via estruturante, defendendo a diversificação das ligações rodoviárias e o reforço do sistema ferroviário nacional.
“O País não pode continuar a depender de uma única estrada para se conectar”, afirmou, acrescentando que o transporte ferroviário representa uma alternativa mais económica, podendo reduzir significativamente os custos logísticos.
Durante o encontro, o governante anunciou igualmente a introdução, ainda este ano, de um sistema de transporte público escolar, numa fase piloto a ser implementada na Área Metropolitana de Maputo.
A iniciativa prevê a disponibilização de viaturas dedicadas ao transporte de estudantes do ensino secundário, com perspectivas de expansão para as cidades da Beira e Nampula.
Por sua vez, o reitor do ISUTC, Fernando Leite Couto, encorajou os estudantes a abraçarem a oportunidade, considerando que a sua participação nos projectos poderá contribuir para o desenvolvimento de competências práticas e para o fortalecimento do sector de transportes no país.





