O académico Elísio Macamo criticou, em declarações recentes, o papel do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) na perpetuação da pobreza em Moçambique, sublinhando que a responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre o governo.
“Eu acho engraçado que o Banco Mundial não diga que há 40 anos estamos a ajudar a ficarmos pobres. É há 40 anos que estamos sob este programa de assistência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Então, o falhanço do São Paulo é também o falhanço do Banco Mundial.”
Macamo argumentou que se um país recebe apoio contínuo durante décadas e permanece pobre, a culpa não pode ser apenas sua, mas também das instituições que deveriam fomentar o desenvolvimento económico.
“Se o senhor ajuda alguém há 40 anos a deixar de ser pobre e essa pessoa continua pobre, a culpa não pode ser só sua. É também de quem está a ajudar.”
O académico lamentou ainda a falta de transparência na relação entre o governo e os organismos financeiros internacionais. Segundo ele, as negociações com o FMI muitas vezes ocorrem sem envolvimento do parlamento, impedindo o escrutínio público e a responsabilização.
“Quando o Fundo Monetário Internacional sabe que o nosso governo não fala com ninguém, não submete esses programas de negociação ao parlamento, pura e simplesmente vai conversar em Washington com essas instituições, sabendo que as pessoas disseram: ‘Olha, isso nós não queremos fazer.”
Macamo alertou que enquanto persistir o secretismo e a ausência de responsabilização, Moçambique continuará sem encontrar soluções para os problemas estruturais que alimentam a pobreza.
“Mais grave é que isso não tenha consequências imediatas na forma como fazemos política em saúde. Não há a quem desresponsabilizar e não existe possibilidade de alterar o tipo de política que estamos a implementar.”





