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Daniel Chapo reafirma compromisso com segurança alimentar em Guijá

Por Redacção Checka Moz.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, presidiu nesta segunda-feira, 06, à cerimónia central de entrega de insumos agrários e pesqueiros no distrito de Guijá, província de Gaza, destinada a apoiar os produtores afetados pelas cheias e inundações que atingiram várias regiões do país.

Em seu discurso, o Presidente reafirmou que Moçambique não recua perante adversidades. “Moçambique levanta-se, reorganiza-se e avança. Estamos aqui para reafirmar que o Estado moçambicano está presente, atento e não abandona o seu povo, sobretudo nos momentos de maior provação”, disse Chapo, destacando o trabalho contínuo do governo e dos parceiros para socorrer as populações afetadas.

Ele lembrou que, durante as cheias e inundações, milhares de famílias ficaram em risco, com pessoas penduradas em árvores por cima das casas, e que o foco do governo foi salvar vidas e garantir alimentação. “Não estávamos a dar apenas o peixe, mas sim o anzol, para que o nosso povo pudesse produzir e alimentar Moçambique”, acrescentou.

Dados do impacto e desafios da campanha agrária

O Presidente detalhou os efeitos das calamidades sobre a agricultura, pecuária e pesca:

  • 441.000 hectares de culturas afetadas, incluindo milho e arroz;
  • 428.000 animais impactados pela perda de pasto;
  • Cerca de 335.000 famílias tiveram a base produtiva fragilizada;
  • Danos significativos em embarcações, alvos e artes de pesca.

Chapo ressaltou que essas perdas exigem uma resposta firme, estruturada e transformadora, sublinhando que a terra é símbolo de resistência, soberania e fonte de sustento para os moçambicanos.

O Governo está implementando um conjunto de ações para recuperar a capacidade produtiva e garantir segurança alimentar, incluindo:

  • Entrega de insumos agrícolas: sementes melhoradas de milho, arroz, feijões e hortícolas, fertilizantes e instrumentos de trabalho;
  • Apoio à pecuária e aquacultura: campanhas de vacinação, fornecimento de alvos de ração, artes de pesca e embarcações;
  • No total, 181.000 kits de produção agrícola, 392.000 alvinos, 250.000 kg de ração, 1.300 artes de pesca e 359 embarcações foram disponibilizados;
  • Utilização do sistema de voucher para maior transparência e autonomia dos produtores.

O Presidente destacou que mais de 80% da população depende da agricultura, e que a iniciativa visa fortalecer a produção nacional, reduzir a dependência de importações e criar condições para transformar Moçambique em país exportador de alimentos.

Reconhecimento cultural e religioso

Chapo agradeceu o apoio de líderes religiosos e parceiros de cooperação, destacando que a fé e a cultura do povo moçambicano são elementos de resiliência e coragem coletiva. Ele saudou manifestações culturais e a música que incentivam o trabalho e a produção do povo.

O Presidente reforçou a necessidade de responsabilidade coletiva: cada instituição, empresa, produtor e cidadão tem papel fundamental na reconstrução da economia. O Governo continua a trabalhar em estreita colaboração com o setor privado, autoridades locais e parceiros internacionais, incluindo Banco Mundial e FAO, para garantir que nenhuma família afetada seja deixada para trás.

Daniel Chapo abordou também os impactos indiretos de crises internacionais, como a guerra no Irã, que afeta preços globais de combustível e alimentos. Segundo ele, Moçambique tem estoques estratégicos de combustível, garantindo estabilidade nos preços e continuidade das atividades econômicas essenciais.

O Presidente concluiu que o futuro económico de Moçambique constrói-se no campo, destacando a importância das cadeias de valor, agregação de valor e disciplina dos produtores. Ele reafirmou o compromisso do Governo com resiliência, transformação estrutural e soberania alimentar, incentivando todos os beneficiários a transformar adversidades em oportunidades de produção e recomeço.

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