O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, encontra-se em Belém, no Estado do Pará, Brasil, para participar na 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), um dos mais importantes fóruns globais dedicados ao ambiente, à sustentabilidade e à cooperação internacional.
A participação de Moçambique na conferência pretende mobilizar financiamento climático, reforçar a resiliência nacional e defender soluções que beneficiem directamente as populações vulneráveis.
De acordo com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, a presença do Chefe do Estado “marca um momento importante da diplomacia moçambicana, tanto no domínio climático como nas relações económicas e internacionais”.
“A Sua Excelência o Presidente da República vai participar na conferência do clima, que decorre de 6 a 7 de Novembro, e terá também vários encontros bilaterais, sobretudo com o Presidente do Brasil, Lula da Silva”, afirmou a ministra.
A governante acrescentou que estão igualmente previstos encontros com outros Chefes de Estado que solicitaram reuniões com Moçambique.
“Estamos a falar, por exemplo, do Presidente da Finlândia, e ainda estamos a ver a possibilidade de encontro com a Noruega, com quem também pedimos uma reunião”, explicou.
O Chefe de Estado participará em dois painéis de debate de alto nível, intitulados “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos” e “Dez Anos do Acordo de Paris: Contribuições Nacionalmente Determinadas e Financiamento”, centrados nas acções globais de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, na promoção de financiamento sustentável e nas estratégias de adaptação e resiliência dos países mais vulneráveis.
A presença de Daniel Chapo nestes debates reforça o compromisso de Moçambique com a justiça climática, a preservação ambiental e o desenvolvimento verde, consolidando o papel do país como voz africana activa na defesa da transição energética justa e da cooperação internacional para o clima.
Financiamento climático e benefícios para o cidadão
A delegação moçambicana leva à COP30 uma agenda orientada para resultados, que visa garantir acesso a fundos internacionais para projectos de adaptação climática, agricultura de irrigação, gestão da água e energia limpa.
Essas iniciativas têm impacto directo nas comunidades, permitindo melhorar a segurança alimentar, reduzir perdas causadas por desastres naturais e criar empregos verdes.
“Todos nós estamos conscientes de que Moçambique é propenso aos impactos das mudanças climáticas. Em apenas quatro meses, entre 2024 e 2025, enfrentámos quase três ciclones. Por isso, viemos aqui para partilhar a nossa experiência e para aprender com os outros países presentes”, afirmou Maria Manuela Lucas.
A ministra sublinhou que o país “vem com ganhos e com uma posição clara” sobre a necessidade de financiamento acessível e previsível para a adaptação dos países em desenvolvimento.
Além da agenda ambiental, a missão presidencial inclui reuniões com grandes empresas brasileiras, como a Petrobras e a Embrapa, focadas em inovação tecnológica, energias renováveis e agricultura sustentável.
Segundo Maria Manuela Lucas, estes encontros “visam identificar parcerias estratégicas que possam traduzir-se em projectos concretos de desenvolvimento e investimento no país”.
“O Presidente vai reunir-se com os presidentes dos conselhos de administração das grandes empresas públicas brasileiras. Já temos confirmada a Petrobras e aguardamos a confirmação da Embrapa e, eventualmente, de outras empresas”, explicou.
A delegação integra também o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas e o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, que participarão em sessões técnicas sobre tecnologias de adaptação e transformação digital para a resiliência climática.
“Temos aqui o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas e o Ministro das Comunicações e Transformação Digital para trocar a nossa experiência, mas também para aprendermos com as práticas dos outros países”, destacou a ministra.
Envolvimento da juventude e da diáspora moçambicana
Durante a estadia em Belém, o Presidente da República encontrará a comunidade moçambicana residente no Brasil, composta maioritariamente por estudantes universitários.
“Aqui em Belém temos cerca de vinte estudantes, mas, a nível do Brasil, são aproximadamente seiscentos jovens moçambicanos em formação. Estamos a tentar garantir que o Presidente se encontre com os que estão aqui e que haja também um momento de diálogo mais amplo com todos os estudantes”, referiu a Ministra.
A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades no Exterior conduzirá uma sessão académica virtual com os estudantes moçambicanos, reforçando o contacto entre o Governo e a diáspora estudantil.
Ao concluir, Maria Manuela Lucas realçou que Moçambique leva à COP30 “uma mensagem de cooperação, aprendizagem e compromisso com soluções concretas”.
“Viemos aqui para partilhar as nossas experiências, apresentar os nossos ganhos e consolidar parcerias. Moçambique está comprometido com a acção climática, com a cooperação internacional e com o fortalecimento da sua diplomacia económica”, declarou.
A presença do Chefe de Estado em Belém reforça o papel de Moçambique como um dos países africanos mais empenhados na construção de uma economia verde e resiliente, onde a protecção das comunidades e o acesso a financiamento sustentável são prioridades nacionais.





