Moçambique registou, em 2025, um reforço das acções de combate ao tráfico e consumo de drogas, tendo resultado na detenção de 844 cidadãos e na condenação de mais de 400 indivíduos, entre nacionais e estrangeiros, segundo dados do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga.
Os números constam do Relatório Anual sobre a Evolução do Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas Registado no País – 2025, que indica igualmente a tramitação de mais de mil processos nos órgãos de administração da justiça, no período compreendido entre 2024 e o primeiro semestre de 2025.
De acordo com o documento, foram registadas 844 detenções relacionadas com crimes de droga, contra 403 no período anterior, o que representa um aumento significativo de 441 casos.
Do total de detidos, 57 encontram-se em prisão preventiva e 158 já foram condenados, sendo que a maioria dos envolvidos é do sexo masculino.
“Os dados aqui aflorados reflectem a necessidade do fortalecimento das medidas de prevenção ao consumo e tráfico de drogas em Moçambique”, refere o relatório.
O documento alerta ainda para o envolvimento crescente de adolescentes e jovens no consumo e, em alguns casos, no tráfico de drogas, situação que, segundo o gabinete, compromete o futuro da juventude e ameaça a coesão social.
Envolvimento de estrangeiros e situação processual
No período em análise, foram detidos 43 cidadãos estrangeiros, dos quais 8 já foram condenados e 35 permanecem em prisão preventiva, em ligação com crimes de tráfico de drogas.
O relatório destaca ainda que 235 dos detidos preventivamente estão ligados ao tráfico de drogas, enquanto 214 estão associados ao consumo.
“O crime não compensa”, sublinha o documento, ao fazer referência aos resultados da actuação das autoridades judiciais.
O relatório aponta igualmente que 42 cidadãos moçambicanos encontram-se detidos no estrangeiro por envolvimento em crimes de droga em 13 países, com destaque para o Brasil, onde se registam 22 casos.
Entre os países referenciados constam Angola, China, Etiópia, Singapura, Índia, Indonésia, Maurícias, Portugal, Tailândia, Qatar, Rússia e Seychelles.
Dos detidos na diáspora, 24 são do sexo feminino e 18 do sexo masculino, sendo que algumas mulheres cumprem penas em diferentes países, sobretudo no Brasil.
O documento refere ainda que as penas variam entre dois anos de prisão e prisão perpétua, registada na Tailândia e na Indonésia.





