O porta-voz do Partido Anamola, Dinis Tivane, admitiu que dezenas de recursos e contestações marcaram as eleições internas do partido, lançando dúvidas sobre a credibilidade de um processo que define os coordenadores distritais, provinciais e da diáspora.
Em conferência de imprensa realizada em Maputo, Tivane destacou que, apesar do partido ter sido formalmente constituído há menos de um ano, o processo eleitoral interno foi conduzido com base em instrumentos normativos detalhados, desenhados para assegurar a democracia interna.
Segundo Tivane, o partido realizou eleições em 11 províncias e 10 países da diáspora, tendo registado 26 recursos ao nível das províncias, 10 nos distritos e 3 na diáspora. As províncias de Tete e Manica foram apontadas como os maiores focos de contencioso eleitoral, enquanto a província de Gaza apresentou uma taxa de implantação de cerca de 95%, sendo considerada um caso de sucesso dado o histórico de pouca abertura política.
“Foi um processo árduo, uma verdadeira epopeia que exigiu dedicação e transparência. Apesar dos desafios, conseguimos eleger as nossas lideranças”, afirmou Tivane, sublinhando que as interrupções no processo, motivadas por cheias e condições climáticas adversas, obrigaram o partido a priorizar ações humanitárias antes de retomar a votação.
Participação feminina ainda baixa
O porta-voz alertou para a baixa participação feminina nas estruturas de liderança do partido, com apenas três mulheres eleitas a nível provincial e 10 nos 167 distritos. “Queremos um processo de liderança híbrido e inclusivo, incentivando mais mulheres a assumir cargos de decisão no Anamola”, afirmou.
O processo eleitoral incluiu também os moçambicanos residentes no exterior, com eleições realizadas em quatro países: África do Sul, Alemanha, França e Portugal, com planos de implementação de sistemas eletrónicos de votação, que permitiram a apuração quase imediata dos resultados.
Após a tramitação de todos os contenciosos, o Gabinete Nacional de Eleições emitiu, em 20 de março de 2026, o parecer de validação oficial, reconhecendo a legalidade e credibilidade dos atos eleitorais. Tivane reforçou que a publicação dos resultados, embora envolvesse recursos e impugnações, respeitou integralmente os regulamentos internos e os princípios de transparência do partido.
O líder destacou ainda que a próxima etapa será a Convenção Nacional, prevista para junho, onde o presidente interino do partido será confirmado como presidente de facto e serão definidas estratégias para os processos eleitorais de 2028 e 2029.





