O Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão Francisco Correia de Almeida, destacou o papel de Moçambique na dinamização da cooperação no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defendendo que a Assembleia Parlamentar da CPLP (AP-CPLP), sob liderança moçambicana, pode contribuir para uma maior mobilidade entre os Estados-membros e para o reforço das trocas comerciais.
A posição foi expressa esta segunda-feira, 27 de Abril, durante uma Sessão Solene na Assembleia da República, em Maputo, no âmbito da visita oficial do dirigente angolano a Moçambique.
Adão de Almeida sublinhou que a consolidação da dimensão económica da CPLP deve ser uma prioridade para o futuro da organização, considerando-a essencial para o desenvolvimento dos países membros.
“É essencial que trabalhemos com celeridade para que a nossa instituição seja formalmente constituída em sede da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, condição essencial para a sua normalização”, afirmou.
Desenvolvimento, inclusão e papel dos parlamentos
O dirigente parlamentar angolano apontou ainda a redução das desigualdades sociais, o combate à pobreza e o reforço do acesso à educação, saúde, água e energia como prioridades para os Estados da CPLP.
Defendeu igualmente o papel dos parlamentos na promoção de políticas públicas orientadas para a criação de emprego, habitação e formação profissional, com especial enfoque na preparação dos jovens para os desafios actuais e futuros.
Adão de Almeida destacou a importância da participação feminina na vida política e social, considerando-a um factor determinante para a estabilidade e coesão social.
Referiu o caso do Parlamento angolano, onde as mulheres representam cerca de 40 por cento dos deputados, sublinhando o papel da mulher como “pilar estruturante” das comunidades.
“Uma sociedade que discrimina as mulheres coloca de lado um dos principais activos para a promoção do desenvolvimento”, afirmou.
O Presidente do Parlamento angolano alertou ainda para os desafios da era digital, defendendo que os parlamentos devem acompanhar a revolução tecnológica para proteger a soberania, a economia e as culturas nacionais.
“A abertura ao mundo da informação global que não seja capaz de proteger o interesse nacional será uma abertura ao neocolonialismo”, advertiu.
Adão de Almeida apelou igualmente ao reforço da diplomacia parlamentar na resolução pacífica de conflitos, defendendo que o diálogo deve prevalecer sobre o uso da força.
Sustentou ainda que os parlamentos devem participar activamente nas discussões sobre reformas da governação global, garantindo uma maior presença de África nos centros de decisão internacional.
A visita oficial do Presidente da Assembleia Nacional de Angola a Moçambique decorre até ao dia 30 de Abril.





