Moçambique voltou a colocar‑se no radar dos grandes investidores internacionais ao apresentar, em Abu Dhabi, a sua visão estratégica para o sector energético, logística e industrialização. O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, destacou o potencial do País durante a Mesa Redonda EAU–Moçambique, realizada esta segunda‑feira, à margem da Semana da Sustentabilidade 2026.
Segundo o Chefe do Estado, Moçambique ocupa hoje uma posição de relevância mundial no segmento do gás natural liquefeito flutuante (FLNG), integrando o “top 10 do FLNG no mundo”, com quatro mega‑projectos em curso — Coral Sul, Coral Norte, Total e Exxon Mobil. Estes empreendimentos representam um volume estimado em 50 mil milhões de dólares americanos, a investir ao longo dos próximos anos.
“Moçambique está pronto para receber grandes investimentos”, afirmou Daniel Chapo, realçando que o País reúne condições naturais, estratégicas e institucionais para parcerias de grande escala.
Ambição de se tornar um hub energético regional
Durante a sua intervenção, o Presidente reafirmou a intenção de transformar Moçambique num polo energético da região da SADC, justificando a ambição com a vasta capacidade hidroeléctrica, incluindo Cahora Bassa, a sua segunda fase, e o projecto Phanda Nkuwa, que prevê gerar 1.500 megawatts no rio Zambeze.
O Chefe do Estado referiu também o potencial do País na energia solar, sublinhando que Moçambique “dispõe de sol durante todo o ano”, o que coloca o País numa posição vantajosa para investimentos na transição energética.
Além da energia, Daniel Chapo destacou o papel estratégico dos portos de Maputo, Beira e Nacala como pilares dos corredores logísticos regionais. Defendeu o aumento da capacidade e a modernização destas infra‑estruturas, apontando a digitalização portuária como “a chave para o sucesso”, num processo que já se encontra em implementação no Porto de Maputo.
O Presidente chamou igualmente a atenção para o potencial dos recursos minerais, com destaque para o grafite e o ouro, e para a necessidade de promover a industrialização, reforçar a agricultura e expandir o sector do turismo, apoiado pelos 2.700 quilómetros de costa, ilhas naturais e extensas áreas de conservação.
Investidores anunciam compromissos concretos
A presença de Moçambique em Abu Dhabi resultou em declarações de interesse imediato por parte de investidores internacionais.
Sorin Teodorescu, Director de Desenvolvimento de Negócios da AUM, empresa ligada ao sector mineiro, revelou que já existe decisão de investir na construção de refinarias de ouro em Moçambique.
“Tivemos discussões com o Presidente (…) Iremos apoiar com o quadro e com a construção das refinarias”, afirmou, sublinhando que “Moçambique é um país‑chave” para o processo de industrialização africano.
Wissam Baloul, Presidente da Red Flag Industrial, descreveu o encontro com Daniel Chapo como “excelente” e assegurou que a empresa está preparada para avançar com investimentos “de milhares de milhões de dólares”, incluindo saúde, infra‑estruturas, energia solar, habitação e cibersegurança.
Segundo Baloul, alguns projectos poderão arrancar já no final de Fevereiro, destacando que a liderança do Presidente tem sido determinante para acelerar decisões empresariais.
Com a participação na Semana da Sustentabilidade de Abu Dhabi 2026, Moçambique consolidou a sua imagem como destino emergente de investimento e parceiro estratégico para o Médio Oriente. O Governo espera agora transformar os entendimentos alcançados em projectos concretos, capazes de impulsionar a economia nacional e criar novas oportunidades para os cidadãos.





