A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, apelou este sábado às famílias deslocadas pelas cheias e actualmente acolhidas nos centros de acomodação da província de Gaza para que não antecipem o regresso às suas casas enquanto persistirem condições de risco.
Durante a visita aos distritos de Chókwe, Guijá e Xai-Xai, acompanhada pelos líderes das quatro bancadas parlamentares, Talapa reforçou a necessidade de prudência e paciência por parte das comunidades afectadas.
“Sabemos que perderam tudo, sabemos que o que têm aqui no centro não é o mesmo que teriam se estivessem nas vossas casas, mas primeiro é a vida, segundo é a vida, terceiro é a vida. Quando as condições forem criadas voltarão às respectivas casas. Certamente que algumas famílias serão aconselhadas a não regressarem às suas zonas de origem por serem ciclicamente propensas às cheias e inundações”, disse Margarida Talapa.
Situação nos centros de acolhimento
No informe preliminar, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, revelou que o nível das águas em Chókwe baixou ligeiramente, facto que tem levado algumas famílias a ensaiar o regresso às suas residências para limpezas iniciais.
A Presidente da Assembleia da República, contudo, alertou para os riscos de precipitação, sublinhando que a segurança das pessoas deve prevalecer sobre qualquer tentativa de retorno prematuro.
A visita da Comissão Permanente teve como objectivo avaliar a situação real no terreno e recolher elementos que permitam à Assembleia interagir com o Executivo na definição de mecanismos de assistência.
A realidade constatada comoveu a Chefe do Parlamento e os líderes das bancadas, que já perspectivam formas de intervenção mais robustas.
“Não tivesse havido aviso prévio e mobilização em massa para abandonar as zonas de risco, o drama humanitário e o número de mortes teria sido bem maior”, afirmou a Presidente da Assembleia da República.
Centros sobrecarregados e resposta comunitária
O centro de Chiaquelane, criado nas cheias do ano 2000, acolhe actualmente cerca de 28 mil pessoas, sendo o maior em funcionamento no país. Já o distrito de Guijá conta com cerca de 7 mil deslocados, distribuídos por sete centros provisórios.
Apesar da pressão, as famílias reconhecem que a situação alimentar é estável, com fornecimento de três refeições diárias e suplementos para crianças. A solidariedade local tem sido determinante: homens constroem latrinas e fornecem lenha, mulheres disponibilizam verduras das machambas e comerciantes locais garantem água potável.
Apoio material e campanha de solidariedade
Durante a visita, Margarida Talapa entregou diversos produtos alimentares – açúcar, arroz, farinha de milho, feijão manteiga, frangos, peixe, bolachas, chá e capulanas – reiterando o compromisso da Assembleia em mobilizar mais apoios.
“A Casa do Povo continuará a mobilizar recursos para reforçar a assistência às famílias afectadas”, disse a Presidente da Assembleia da República.
A partir de segunda-feira, 26 de Janeiro, estarão disponíveis caixas no edifício da Assembleia para recolha de bens alimentares não perecíveis, vestuário e utensílios domésticos, destinados às vítimas das cheias.
Recorde-se que a campanha de solidariedade iniciou com uma contribuição dos deputados, que permitiu angariar 2,7 milhões de meticais, já canalizados ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).





