As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) foram readmitidas no “IATA Clearing House”, o sistema global de liquidação financeira da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), depois de mais de dois anos de suspensão. A decisão, efectiva desde o início de Outubro, marca um novo capítulo na recuperação operacional e financeira da companhia aérea moçambicana, que volta agora a integrar o circuito internacional de aviação comercial.
Segundo o Diário Económico, a readmissão ocorreu após a empresa regularizar uma dívida superior a 7,8 milhões de dólares junto da IATA, uma das condições essenciais para o regresso ao sistema. Durante o período de suspensão, a LAM enfrentou restrições severas em transacções internacionais, o que afectou a venda de bilhetes e o processamento de pagamentos com outras companhias.
Com a reintegração, a empresa passa a ter acesso directo ao sistema de compensação financeira da IATA, permitindo-lhe efectuar e receber pagamentos com segurança e transparência junto de parceiros mundiais.
De acordo com a própria companhia, este marco “reforça a confiança dos clientes e dos parceiros estratégicos”, consolidando o plano de reestruturação em curso desde 2023, implementado sob a supervisão do Governo e de parceiros internacionais.
O que é o IATA Clearing House e por que é importante
O IATA Clearing House é um mecanismo central de liquidação que assegura que as companhias aéreas, agências e operadores turísticos transaccionem valores de forma segura e auditável.
Estar fora deste sistema implica dificuldades nas operações internacionais, perda de credibilidade e obstáculos para participar em acordos de interline, o tipo de parceria que permite aos passageiros viajar em voos de várias companhias sob o mesmo bilhete.
A readmissão da LAM representa, por isso, um sinal de recuperação e profissionalização da companhia, e um passo essencial para restabelecer a sua imagem internacional.
Mais aviões e modernização da frota
Paralelamente à readmissão no sistema IATA, a LAM anunciou a chegada de uma nova aeronave do tipo aeronave Airbus A319, reforçando a sua frota de médio curso. O investimento faz parte do programa de modernização operacional lançado em 2023, que prevê aumento de rotas regionais, melhoria da pontualidade e redução de custos operacionais.
Com esta nova aeronave, a empresa passa a operar com maior eficiência em voos regionais, ligando Maputo a destinos estratégicos como Joanesburgo, Harare, Dar es Salaam e Nampula.
A medida está alinhada com o objectivo do Governo de revitalizar o sector da aviação civil e reforçar a conectividade interna e regional.
A readmissão da LAM no IATA é interpretada por especialistas do sector como um sinal positivo para a credibilidade económica e institucional de Moçambique. Analistas destacam que o cumprimento das normas internacionais e a liquidação das dívidas demonstram compromisso com a transparência e boa governação nas empresas públicas.
A recuperação da LAM é vista como parte do esforço nacional para reposicionar Moçambique no mapa da aviação africana, atraindo investimento e fortalecendo a cooperação técnica com outros países. Com a sua reintegração na IATA e a expansão gradual da frota, a LAM recupera espaço e prestígio, projectando uma nova era para a aviação moçambicanamais segura, mais moderna e internacionalmente reconhecida.





