O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, avaliou hoje os principais pontos afectados pelas cheias na província de Maputo, com destaque para a estrada Marracuene/Macaneta e os troços críticos da Estrada Nacional número Um (N1), nomeadamente Mahocha Homo, Chulavecane e Incoluane.
Durante a visita, o ministro constatou a gravidade da situação, sublinhando que as cheias provocaram danos significativos nas estradas e infraestruturas públicas.
“Estamos aqui para fazer o acompanhamento dos trabalhos que estão a decorrer a nível da província de Maputo, no âmbito das cheias e inundações que temos este ano de 2026. A primeira situação que encontramos ao nível da província, que já é pública, foi a degradação das infraestruturas públicas, com particular destaque para as estradas”, disse o ministro.
Transitabilidade comprometida na N1
Matlombe recordou que a N1, considerada uma via estratégica para o país, ficou gravemente afectada, dificultando a circulação de pessoas e bens.
“Não haverá condições para garantir a reposição, pelo menos, nos próximos 15 dias”, afirmou João Matlombe.
O governante explicou que antes de qualquer intervenção de vulto é necessário aguardar pela descida das águas, enquanto decorrem avaliações técnicas sobre o tipo de obras a realizar.
O ministro mostrou-se preocupado com a concentração de transportadores nas margens sul e norte da N1, sobretudo na província de Gaza.
“Os que vêm do lado de Maputo, o recomendável é recuar porque vai ser desgastante ficar duas ou três semanas sem condições básicas, pois estão na via pública, sem sanitários, alojamento e com todos os riscos que daí advêm”, disse o ministro.
Matlombe reforçou que não é aconselhável permanecer nos locais afectados, lembrando que existem seis cortes ao longo da N1, tornando esta zona a mais crítica e profunda.
Estrada alternativa e soluções imediatas
Enquanto se aguarda pela redução das águas, o Governo está a trabalhar na Estrada Alternativa de Moamba, que poderá servir como via imediata de acesso à N1 e garantir a conectividade entre as regiões sul e centro-norte do país.
“Precisamos terminar todo o levantamento a ser feito, pois existe seis cortes ao nível da N1, sendo esta a zona mais crítica e bastante profunda”, afirmou João Matlombe.
Durante a visita, o ministro apelou aos cidadãos para evitarem deslocações desnecessárias entre Maputo e outras províncias, devido à falta de condições de transitabilidade.
“Queríamos apelar aos transportadores para que compreendam que não há condições para chegar a Maputo. Com isso, acabam concentrando-se na província de Gaza e gerando essa externalidade negativa que cria pressão na organização e o funcionamento de toda a logística”, disse o ministro.
Medidas logísticas
Do ponto de vista logístico, Matlombe garantiu que o Governo está organizado para dar assistência à província de Gaza através da cabotagem marítima, que terá início amanhã a partir do Porto de Maputo.
“Estamos a criar condições para ver se também conseguimos reforçar a alimentação da província para que não haja ruptura de estoque e possamos evitar qualquer situação de especulação de preço”, afirmou João Matlombe.
Além disso, foram aumentados os voos para Gaza, tendo sido realizados cinco voos de ida e cinco de volta no dia anterior, transportando mais de 1.800 passageiros.
“Vamos aumentar os voos a partir da manhã para a cidade de Inhambane e Vilanculos vão ter voos adicionais como forma de diminuir a pressão. Sobretudo, para os passageiros que querem regressar de férias”, disse o ministro.
Outra solução apontada pelo titular da pasta dos Transportes e Logística é a utilização da linha férrea, após inspecções confirmarem condições para transportar pessoas e mercadorias até Magude.
“Estamos a criar alternativas para garantir que as populações não fiquem isoladas e que a circulação de bens essenciais seja assegurada”, afirmou João Matlombe.





