O membro sénior do PODEMOS, Hélder Mendonça, reagiu publicamente à sua alegada suspensão durante a 11.ª Sessão do Conselho Central do partido, realizada a 28 de Fevereiro, acusando a direcção de intolerância interna e falta de transparência na gestão financeira.
Num posicionamento dirigido aos “compatriotas moçambicanos”, Mendonça afirmou ter sido alvo de um pedido de suspensão apresentado pelo Conselho Fiscal, alegadamente por ter concedido uma entrevista ao Jornal Evidências sobre verbas recebidas pelo partido.
Mendonça afirma que a sua alegada suspensão do PODEMOS resulta directamente de questionamentos que levantou sobre a gestão financeira do partido.
Segundo o dirigente, em Fevereiro de 2025 foi comunicado publicamente que o partido recebia cinco milhões de meticais mensais de financiamento estatal, quando, na realidade, o valor ascenderia a 6.687.933,33 meticais.
“Pergunta-se: onde se encontra o diferencial financeiro? Há ou não indícios que justificam esclarecimentos profundos?”, questionou Hélder Mendonça.
O político sustenta que actividades internas foram planificadas com base no montante inferior e que, recentemente, terá sido alegada insuficiência orçamental para justificar a não atribuição de subsídios aos secretariados provinciais, num valor estimado em cerca de 850 mil meticais.
Legalidade da suspensão em causa
Hélder Mendonça considera que a alegada suspensão não tem respaldo estatutário nem legal e que será impugnada junto das autoridades competentes.
“Não podemos exigir Estado de Direito Democrático fora e praticar arbitrariedades dentro”, afirmou.
O político sustenta ainda que a sua actuação se enquadra no exercício legítimo de fiscalização interna, competência reconhecida pelos estatutos do partido.
“Prefiro enfrentar as consequências da verdade do que pactuar com o silêncio conveniente”, declarou.
As declarações surgem num momento de tensão interna no PODEMOS, marcado pela realização do Conselho Central e pelo processo de eleição do novo secretário-geral.
Mendonça deixa claro que não recuará das suas posições.
“Continuarei a lutar, com firmeza e urbanidade. A luta continua”, concluiu Hélder Mendonça.
As reacções da direcção do partido às acusações ainda não foram tornadas públicas.





