A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a acelerar um vasto programa de modernização da barragem e a avançar para a produção de energia solar, através da construção de uma central fotovoltaica de 400 MW em Chitima, segundo o Jornal Savana.
O investimento insere-se no programa CAPEX Vital, que visa reforçar a eficiência, a fiabilidade e a segurança energética até 2034.
Este processo decorre num momento marcado pela redução severa do caudal do rio Zambeze, agravada pelo fenómeno El Niño, que tem afectado de forma directa a produção de energia e as receitas da empresa. Até Setembro de 2024, a HCB registou uma quebra acumulada de 13 mil milhões de meticais.
Modernização estrutural e reforço tecnológico
A administradora-executiva da HCB, Antónia Mabjaia, explicou que o CAPEX Vital representa uma transformação profunda da empresa, posicionando-a entre as mais modernas da região.
“Com a nova era, a HCB vai conviver com equipamentos modernos e de elevada tecnologia. Isto implica que a empresa deve ter um quadro técnico capaz de responder a estes desafios”, afirmou Antónia Mabjaia.
O programa inclui a substituição de sistemas electro-mecânicos, a modernização das linhas de alta tensão, a digitalização do centro de comando e a melhoria das infra-estruturas operacionais.
Lucas Gune: “O que está na central já não corresponde à realidade actual”
O engenheiro Lucas Gune, técnico sénior da HCB, destacou que muitos dos equipamentos instalados na central foram fabricados há mais de 50 anos.
“O que forma a central hídrica da HCB foi fabricado e instalado há mais de 50 anos e, neste momento, mostra-se completamente inadequado à nossa realidade”, afirmou Lucas Gune.
Segundo o técnico, a substituição dos geradores e do sistema de comando permitirá reduzir avarias e elevar a segurança operacional.
Amina Matsinhe realça prioridade da energia solar
A administradora Amina Matsinhe reforçou que a aposta na energia solar é estratégica para o futuro da HCB e para a resiliência energética nacional.
“Pensamos que a energia solar é o caminho certo. É limpa, é previsível e prepara-nos para os desafios climáticos que já estamos a viver”, sublinhou Amina Matsinhe.
A energia produzida será incorporada na rede através da subestação de Matambo.
Adérito Machaeie: produtividade pode atingir 99%
O administrador Adérito Machaeie, responsável pelos projectos de modernização, referiu que as obras deverão aumentar significativamente a eficiência operacional da hidroeléctrica.
“Com a reabilitação, vamos aumentar a fiabilidade, melhorar a eficiência e elevar a produção em cerca de 90 MW”, explicou Adérito Machaeie.
Segundo o dirigente, a produtividade da barragem poderá subir para índices entre 97% e 99%, após a conclusão dos trabalhos.
Redução do caudal do Zambeze afecta produção
O administrador executivo Nilton Trindade explicou que a bacia hidrográfica enfrenta níveis historicamente baixos, com impacto directo nas operações da HCB.
“O caudal está muito baixo e isso está a reduzir a nossa capacidade de geração. A água é a principal matéria-prima para a produção de energia eléctrica pela HCB”, afirmou Nilton Trindade.
Devido à diminuição do volume de água, a barragem registou uma redução de 24% na capacidade de armazenamento, o que condiciona a produção.
Hamilton Bila: perdas chegam a 13 mil milhões de meticais
O administrador Hamilton Bila, responsável pela área financeira, detalhou os efeitos económicos da redução de caudal.
“Até ao mês de Setembro, tivemos uma redução de cerca de 16 milhões de meticais nas receitas mensais. E, no acumulado de 2024, registámos uma quebra de 13 mil milhões de meticais”, disse Hamilton Bila.
O administrador alertou que, sem melhorias hidrológicas, a empresa poderá enfrentar desafios adicionais na gestão de compromissos comerciais.
HCB antecipa-se ao futuro
Apesar das dificuldades, a HCB garante que o CAPEX Vital permitirá:
reforçar a modernização estrutural;
diversificar a matriz energética;
ampliar a capacidade de geração;
melhorar a integração regional;
aumentar a resiliência face às alterações climáticas.
A empresa afirma que está a construir uma nova etapa energética, combinando produção hídrica e solar para responder aos desafios das próximas décadas.
Notícia produzida com base no Jornal Savana.





