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Governo apela à calma e rejeita bloqueios fronteiriços após tensão na África do Sul

Por Redacção Checka Moz.

O Governo moçambicano apelou à calma e desencorajou quaisquer iniciativas de bloqueio de fronteiras, na sequência das recentes tensões e episódios de violência xenófoba na África do Sul.

As autoridades asseguram que, até ao momento, não há registo oficial de trabalhadores moçambicanos afectados, apesar do clima de preocupação que se vive entre as comunidades migrantes. De acordo com dados avançados pela ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, residem naquele país cerca de 350 mil moçambicanos.

A governante garantiu que o Executivo acompanha a situação com atenção, sobretudo no que diz respeito aos trabalhadores empregados no sector mineiro, onde se concentra uma parte significativa da mão-de-obra moçambicana.

“Estamos muito tristes com o que temos estado a assistir. Sabemos que o maior número de trabalhadores sob controlo do Ministério do Trabalho trabalham nas minas e, até este momento, não temos dados oficiais que nos possam preocupar.”

Em Moçambique, circularam nas redes sociais apelos à realização de protestos e ao bloqueio de postos fronteiriços como forma de retaliação, nomeadamente em Ressano Garcia e Ponta do Ouro.

O Serviço Nacional de Migração (SENAMI) veio a público desencorajar estas acções, sublinhando que não representam a posição oficial do Governo e podem comprometer a circulação de pessoas e bens.

O porta-voz da instituição, Juca Bata, afirmou que as autoridades estão a monitorar atentamente as mensagens difundidas nas plataformas digitais e prontas para intervir caso necessário.

“Estamos a acompanhar atentamente o que está acontecer nas redes sociais, e estamos prontos para responder a esta situação. O Serviço Nacional de Migração e o Governo não enveredam por estes passos.”

Impacto económico e reacções políticas

Entretanto, já se começam a registar impactos económicos, com o agravamento de preços de alguns produtos alimentares devido à redução das importações provenientes da África do Sul nos últimos dias.

No plano político, partidos da oposição têm vindo a reagir à situação. O Podemos defendeu uma acção coordenada entre os dois países, enquanto o Movimento Democrático de Moçambique criticou a actuação do Executivo e propôs a criação de uma comissão parlamentar.

Já a Renamo apelou a uma intervenção urgente junto das autoridades sul-africanas, manifestando preocupação com a segurança dos cidadãos moçambicanos naquele país.

A Human Rights Watch recorda que a África do Sul tem um histórico de episódios de violência xenófoba, incluindo os incidentes de 2019, que resultaram na morte de pelo menos 18 estrangeiros.

As autoridades moçambicanas reiteram, por isso, a necessidade de serenidade e diálogo, enquanto continuam a acompanhar a evolução da situação e a salvaguardar os interesses dos cidadãos no exterior.

Fonte: RFI

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