O Governo alertou para o risco de agravamento das cheias na bacia do rio Incomáti, em resultado da instabilidade registada na Barragem de Senteeko, localizada no Município de Mbombela, na República da África do Sul, situação que poderá provocar o aumento dos caudais e afectar zonas ribeirinhas em território moçambicano, informou esta quarta‑feira a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH).
O alerta foi lançado durante uma conferência de imprensa promovida pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, através da DNGRH, que explicou que a situação decorre das chuvas persistentes registadas na última semana naquele país vizinho.
Segundo a instituição, a instabilidade observada na barragem pode resultar em descargas significativas de água, com impactos directos na bacia do Incomáti, sobretudo nas zonas mais baixas e ribeirinhas localizadas em Moçambique.
“As chuvas persistentes registadas na última semana na África do Sul estão a provocar instabilidade na Barragem de Senteeko, o que pode resultar no aumento significativo dos caudais do rio Incomáti”, explicou a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos.
Distritos em risco identificados
De acordo com a DNGRH, caso o cenário se agrave, as cheias poderão afectar assentamentos humanos localizados nos distritos de Magude e Manhiça, ambos vulneráveis a inundações relacionadas com a subida do nível do rio.
As autoridades alertam igualmente para a possibilidade de interrupções na circulação rodoviária, com destaque para a Estrada Nacional Número Um (EN1), principal corredor rodoviário do país, que atravessa zonas próximas da bacia do Incomáti.
“Existe o risco de afectação de comunidades ribeirinhas e da circulação rodoviária, sobretudo na Estrada Nacional Número Um, caso se verifique um aumento acentuado do caudal”, advertiu a DNGRH.
Apelo à retirada preventiva das populações
Perante o risco iminente, o Governo apelou às populações que vivem em zonas baixas e ribeirinhas para que abandonem preventivamente as áreas consideradas de risco, cumpram rigorosamente as orientações das autoridades locais e se mantenham atentas às comunicações oficiais.
O Executivo sublinha que a retirada atempada das populações pode contribuir significativamente para a redução da perda de vidas humanas e de bens materiais.
“Apelamos às comunidades que vivem em zonas de risco para que se retirem preventivamente e sigam todas as orientações das autoridades, mantendo‑se atentas às informações oficiais”, recomendaram as autoridades.
Vigilância hidrológica reforçada
Durante a conferência de imprensa, a DNGRH destacou ainda que a situação hidrológica nacional continua a exigir vigilância permanente, tendo em conta que a actual época chuvosa mantém níveis elevados de água em várias bacias hidrográficas do país.
As regiões Sul e Centro são apontadas como as mais vulneráveis, devido à conjugação de chuvas persistentes e à contribuição de caudais provenientes de países a montante.
As autoridades garantem que a situação está a ser acompanhada de forma contínua, com equipas técnicas no terreno e uma coordenação estreita entre as instituições nacionais e regionais envolvidas na gestão dos recursos hídricos.
Segundo o Governo, a partilha de informação com os países vizinhos e a monitoria permanente das barragens a montante são medidas essenciais para antecipar cenários de risco e adoptar respostas adequadas.
“Estamos a acompanhar a situação de forma permanente, com equipas técnicas no terreno e em coordenação com as autoridades regionais, para garantir uma resposta atempada e eficaz”, assegurou a DNGRH.
O Governo reafirma que continuará a emitir comunicados oficiais sempre que houver alterações relevantes no comportamento hidrológico do rio Incomáti, apelando à colaboração das populações na adopção de medidas de prevenção e segurança.





