A Exxon Mobil confirmou o levantamento da cláusula de força maior, em vigor desde 2021, sobre o projecto Rovuma LNG, em Cabo Delgado, permitindo a retoma do maior investimento energético alguma vez projectado em Moçambique. A decisão surge um mês depois da visita oficial do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, à sede da petrolífera nos Estados Unidos, onde foram discutidas condições para acelerar a decisão final de investimento. A suspensão tinha sido imposta após os ataques armados na região de Palma, o que levou à paralisação total das actividades e ao adiamento do calendário técnico.
Com o levantamento agora confirmado, o Rovuma LNG regressa à rota global de expansão do portefólio internacional de gás natural liquefeito.
Exxon confirma a decisão em comunicado oficial
A empresa divulgou uma declaração formal, através de um porta-voz:
“Levantámos a força maior para o projecto Rovuma LNG”, disse um porta-voz da Exxon. “Estamos a trabalhar com os nossos parceiros e com o Governo de Moçambique para garantir a segurança das nossas pessoas e das nossas instalações, enquanto procuramos desenvolver um projecto de LNG de classe mundial que possa impulsionar o crescimento económico.”
A declaração evidencia que a petrolífera continua a dar prioridade à segurança operacional, ao mesmo tempo que reforça o compromisso com um projecto de referência mundial capaz de gerar impacto económico significativo.
A decisão ocorre poucas semanas depois de a TotalEnergies ter igualmente levantado a força maior aplicada ao projecto da Área 1 de Afungi, estimado em 20 mil milhões de dólares.
Ambos os empreendimentos deverão iniciar operações no início da década de 2030, reposicionando Moçambique no grupo dos principais fornecedores globais de LNG.
Daniel Chapo apela a um regresso faseado das petrolíferas
O Presidente da República tem defendido que as empresas regressem de forma faseada a Cabo Delgado, sublinhando que o país não pode esperar por um “cenário perfeito” para retomar investimentos estratégicos. Daniel Chapo destaca que as condições de segurança na província melhoraram substancialmente, graças à actuação das Forças de Defesa e Segurança.
A diplomacia económica do Chefe de Estado tem sido apontada como um factor determinante para reforçar a confiança dos investidores e acelerar o calendário dos megaprojectos.
Moçambique regressa ao mapa energético global
Com o levantamento das forças maiores, Rovuma LNG (Exxon) e Mozambique LNG (TotalEnergies) reposicionam o país no centro da geopolítica energética internacional. A Exxon prevê duplicar o seu portefólio global de gás até 2030, num contexto de aumento previsto da procura mundial até 2050.
A nova fase do Rovuma LNG abre espaço para:
retoma operacional;
mobilização de investimento directo estrangeiro;
reforço da segurança energética global;
maior projecção das receitas futuras para Moçambique.
A decisão marca o regresso de Moçambique ao grupo dos actores estratégicos da transição energética mundial, reabrindo uma das maiores janelas de crescimento económico das próximas décadas.





