Mais de 480 mil mulheres, homens e crianças em situação de vulnerabilidade nas zonas rurais de Moçambique beneficiaram de programas de empoderamento económico e inclusão social durante o ano de 2024.
Os resultados constam do Relatório Anual das Nações Unidas em Moçambique 2024, que apresenta avanços significativos em projectos de meios de subsistência, protecção social e igualdade de género implementados em parceria com o Governo.
De acordo com o documento, os programas priorizaram as famílias em situação de pobreza extrema, comunidades afectadas por desastres naturais e deslocação forçada, e mulheres chefes de agregados familiares.
As intervenções foram desenvolvidas no âmbito da cooperação entre as agências das Nações Unidas e vários ministérios moçambicanos, com foco em aumentar rendimentos, fortalecer capacidades produtivas e garantir segurança alimentar.
Os programas implementados em 2024 contribuíram directamente para a criação e consolidação de actividades económicas locais, com especial enfoque nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Sofala e Gaza.
Segundo o relatório, as acções combinaram formação profissional, apoio financeiro, distribuição de insumos agrícolas e criação de cooperativas comunitárias, garantindo oportunidades sustentáveis de geração de rendimento.
As agências das Nações Unidas apoiaram projectos de horticultura, pesca artesanal, carpintaria, costura, comércio rural e criação de pequenos negócios familiares, com acesso facilitado a microcrédito e mercados locais.
Cerca de 75 mil beneficiários directos participaram em acções de educação financeira e gestão de negócios, destinadas a melhorar a autonomia económica e o uso racional dos recursos.
O relatório sublinha que o empoderamento económico comunitário tem impacto directo na redução da pobreza multidimensional, na resiliência face às crises climáticas e na promoção da igualdade de género.
Mulheres no centro das estratégias de desenvolvimento
Entre os 480 mil beneficiários, mais de 60 % eram mulheres, confirmando a prioridade da igualdade de género nos programas apoiados pelo UN Women, PNUD, FAO e FNUAP, em coordenação com os ministérios da Género, Agricultura, Indústria e Comércio.
Os projectos promoveram a formação de associações femininas, o acesso a terras produtivas, a alfabetização funcional e a diversificação de meios de subsistência.
Foram implementados programas de educação financeira e liderança comunitária feminina, com vista a fortalecer a voz e a participação das mulheres nas decisões económicas e sociais.
O relatório destaca ainda os resultados obtidos no âmbito do Programa Conjunto para a Mulher e Rapariga Rural, que beneficiou mais de 55 mil mulheres com insumos agrícolas, tecnologias adaptadas às mudanças climáticas e capacitação técnica para gestão cooperativa.
Segurança alimentar e adaptação climática
Várias das iniciativas analisadas no relatório estiveram também alinhadas com o Programa Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e com a Estratégia Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas.
As actividades de horticultura sustentável, agricultura de conservação e gestão de sementes resilientes foram executadas em parceria com a FAO e o PNUD, beneficiando directamente 120 mil pessoas.
O relatório refere que estas medidas não apenas aumentaram a produtividade agrícola, mas também melhoraram a dieta alimentar e a renda familiar em comunidades de difícil acesso.
A introdução de tecnologias de irrigação solar e micro-sistemas de bombagem de água permitiu a redução dos custos de produção e o aproveitamento sustentável dos recursos hídricos.
O Relatório Anual das Nações Unidas indica que os programas de empoderamento económico continuarão a ser prioridade em 2025, com novas acções voltadas para a educação financeira de jovens, o acesso a microcrédito rural e o fortalecimento das cooperativas comunitárias.
O foco será igualmente colocado na inclusão digital, com a introdução de plataformas electrónicas de registo e monitoria de beneficiários.
As metas estabelecidas visam atingir um milhão de beneficiários cumulativos até 2027, consolidando os resultados obtidos e reforçando a resiliência económica das comunidades rurais.





