Moçambique pretende instalar uma fábrica de produção de equipamentos eléctricos, com vista a acelerar a expansão da energia para todos e aumentar as exportações deste recurso fundamental para o desenvolvimento das indústrias e não só. A intenção foi anunciada por António Nhassengo, director de Desenvolvimento de Negócios da Electricidade de Moçambique (EDM), durante um encontro empresarial realizado há dias em Maputo.
Actualmente, o país apresenta uma taxa de electrificação de cerca de 62 por cento, o que implica uma crescente necessidade de materiais para a expansão da rede eléctrica, incluindo cabos, postes, transformadores e contadores de energia. Para responder a esta procura, o Governo, em coordenação com a EDM, pretende instalar, no país, unidades industriais vocacionadas à produção destes equipamentos.
“O objectivo é reduzir a factura de importações e o impacto na saída de divisas, ao mesmo tempo que se cria emprego e se fortalece a indústria nacional”, declarou António Nhassengo, sublinhando que a produção local destes materiais permitirá ganhos significativos de eficiência e sustentabilidade no sector.
Parcerias estratégicas e impacto económico
O projecto prevê a instalação das unidades industriais no Parque Industrial de Beluluane, que oferece condições de infra-estrutura adequadas para receber investimentos, sobretudo de empresas brasileiras interessadas em firmar parcerias com o sector público e privado moçambicano.
“A EDM está posicionada como um dos pilares da industrialização, apostando não apenas na geração de electricidade, mas também no desenvolvimento de uma cadeia de valor local ligada à produção de materiais eléctricos”, destacou Nhassengo.
Segundo o responsável, o país dispõe de potencial hídrico já identificado, com destaque para os projectos de Lúgela, na província da Zambézia, e Lugenda, no Niassa. Estas iniciativas poderão trazer benefícios duplos, ao assegurar a produção de energia e, simultaneamente, impulsionar a agricultura através do aproveitamento dos recursos hídricos para irrigação e outras actividades produtivas.
Para além de satisfazer as necessidades internas, a futura fábrica poderá posicionar-se como fornecedora regional, beneficiando do posicionamento estratégico de Moçambique, que faz fronteira com vários países. Caso se garantam padrões elevados de qualidade e competitividade, o país poderá transformar-se num pólo regional de produção de equipamentos eléctricos.





