O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu hoje, em Maputo, a necessidade de aprofundamento da unidade africana e da integração económica regional, afirmando que o desenvolvimento do continente depende da superação das divisões herdadas do período colonial.
Falando no final das celebrações do 25 de Maio, Dia de África, o Chefe do Estado sublinhou que as fronteiras africanas são “artificiais” e não correspondem às realidades culturais e sociais das populações.
“As fronteiras do continente são artificiais e o desenvolvimento de África depende da superação das divisões herdadas do período colonial”, afirmou.
O Presidente destacou que existem fortes ligações culturais entre povos de países vizinhos, citando comunidades que partilham língua, apelidos e costumes entre Moçambique e a África do Sul, como exemplo da necessidade de maior integração regional.
“O segredo para África desenvolver é a unidade”, declarou, defendendo uma visão de desenvolvimento económico integrado entre os países africanos.
O estadista sublinhou ainda a importância de reforçar mecanismos de cooperação já existentes no continente, considerando que a integração económica é essencial para acelerar o crescimento e reduzir assimetrias entre os países.
Integração e mobilidade regional
Na sua intervenção, Chapo referiu avanços na mobilidade regional, mas reconheceu a persistência de desafios estruturais, sobretudo na conectividade aérea e na coordenação de infra-estruturas transfronteiriças.
“A interconectividade aérea é extremamente importante no nosso continente”, afirmou, defendendo uma abordagem de longo prazo para o desenvolvimento de infra-estruturas regionais integradas.
O Presidente comparou ainda o processo africano com modelos de integração de outras regiões do mundo, defendendo que África deve acelerar os seus próprios mecanismos de união económica e política.
Durante a intervenção, o Chefe do Estado evocou figuras históricas do pan-africanismo, entre as quais Kwame Nkrumah e Muammar Gaddafi, destacando o seu papel na defesa da unidade continental.
Sublinhou igualmente a importância do legado de líderes africanos na construção do actual pensamento de integração e cooperação entre os Estados.
Paz como condição essencial
O Presidente da República destacou ainda que a paz constitui uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável do continente.
“As celebrações do dia foram igualmente marcadas pelo lançamento das comemorações dos 40 anos da morte de Samora Moisés Machel”, referiu, sublinhando o papel do antigo estadista moçambicano na luta pela independência e na promoção da estabilidade regional.
Chapo defendeu que o desenvolvimento só é possível em contextos de paz, reconciliação e estabilidade, sobretudo num momento em que Moçambique enfrenta desafios económicos e climáticos.
“A paz é extremamente importante”, afirmou, apelando igualmente ao papel da comunicação social na promoção da coesão social e na disseminação de informação rigorosa.





