O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta segunda-feira, 20 de Outubro, em Genebra (Suíça), a criação de um compromisso moral e político global que garanta sistemas de aviso prévio acessíveis a todos os cidadãos do mundo até 2027.
No seu discurso durante o Encontro de Alto Nível sobre a Iniciativa “Aviso Prévio para Todos”, promovido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelas Nações Unidas, Chapo destacou que “proteger o ambiente é, em última instância, proteger a nós próprios como seres humanos”.
O Chefe de Estado moçambicano afirmou que as alterações climáticas deixaram de ser uma ameaça futura para se tornarem “uma realidade presente e devastadora”, que coloca em risco milhões de vidas. Citando dados do Banco Mundial, lembrou que Moçambique está entre os três países africanos mais vulneráveis aos efeitos climáticos extremos, sendo frequentemente afectado por ciclones como o Idai, Kenneth, Gombe, Freddy e Chido.
“Um alerta a tempo é uma vida salva”
No seu discurso, Daniel Chapo sublinhou que a eficácia das respostas climáticas depende de sistemas de alerta que cheguem às comunidades a tempo e em linguagem acessível. “Um alerta a tempo é uma vida salva. Quando o alerta chega a tempo, a resposta é mais rápida, a acção é mais eficaz e o impacto é menor”, afirmou.
O Presidente destacou o papel de Moçambique como líder regional na integração dos sistemas de aviso prévio nas políticas de adaptação climática, reforçando que o país adoptou uma abordagem “centrada nas pessoas e na educação climática”.
Entre as principais acções, apontou o programa “Um Distrito, Uma Estação Meteorológica”, que visa instalar equipamentos modernos de observação do tempo em todo o território nacional, e o Roteiro Nacional de Implementação da Iniciativa Aviso Prévio para Todos, lançado em 2024.
Cooperação científica e inovação
Daniel Chapo afirmou que a ciência e a tecnologia são instrumentos de justiça climática global, defendendo o uso de inteligência artificial, digitalização e partilha de dados para reforçar a capacidade de previsão e resposta rápida a fenómenos extremos.
Moçambique, segundo o Chefe de Estado, está a modernizar a sua rede meteorológica com apoio da iniciativa Systematic Observations Financing Facility (SOFF), integrando radares e sistemas de monitoria em tempo real que fazem parte da rede global da OMM.
O Presidente alertou, contudo, que o financiamento climático em Moçambique continua limitado, devido às restrições orçamentais de um país em desenvolvimento. “Cada dólar investido em aviso prévio representa uma poupança de sete dólares em reconstrução, e, mais importante, representa vidas protegidas”, afirmou, apelando a novas parcerias e mecanismos de financiamento inovadores.
Daniel Chapo apelou às Nações Unidas, aos fundos climáticos e aos parceiros de desenvolvimento para reforçarem o apoio técnico e financeiro aos países mais vulneráveis, como Moçambique, e reafirmou o compromisso nacional com o Acordo de Paris.
“Aviso Prévio para Todos é uma obrigação moral”
Encerrando o discurso, o Chefe de Estado defendeu que o acesso universal a sistemas de aviso prévio deve ser tratado como “uma obrigação moral e política para com as futuras gerações”, e não apenas como uma aspiração técnica. “O investimento em sistemas de alerta é um investimento de esperança na dignidade humana. Prevenir é proteger, e proteger é um acto de amor pela humanidade”, declarou.
Daniel Chapo concluiu apelando a que o encontro de Genebra marque “um ponto de viragem global” e se traduza num compromisso real para salvar vidas e construir um futuro mais justo e sustentável.





