O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, realizou uma visita de trabalho ao distrito do Búzi, com o objectivo de avaliar no terreno os impactos das cheias e inundações que continuam a afectar centenas de famílias naquela região da província de Sofala, bem como noutras zonas do país.
A deslocação presidencial enquadra‑se nos esforços do Governo para responder à crise humanitária provocada pelos desastres naturais associados às chuvas intensas, que têm causado destruição de habitações, perdas de bens e deslocação de comunidades inteiras.
“A vida deve estar acima dos bens materiais”
Durante um encontro com a população da localidade de Guara‑Guara, Daniel Chapo lançou um apelo directo às famílias que ainda residem em zonas consideradas de alto risco, instando‑as a abandonarem esses locais e a reconstruírem as suas vidas em áreas seguras.
O Chefe do Estado sublinhou que a protecção da vida humana deve prevalecer sobre qualquer bem material, alertando que insistir em permanecer em zonas vulneráveis representa um risco elevado num contexto de agravamento dos fenómenos climáticos extremos.
“Os bens podem ser recuperados, mas a vida humana não”, declarou o Presidente, numa mensagem dirigida principalmente às comunidades que resistem à evacuação.
Vila do Búzi considerada insegura
Referindo‑se de forma específica à situação do distrito, Daniel Chapo foi enfático ao afirmar que a vila do Búzi não reúne condições de segurança, defendendo que as populações devem fixar residência em Guara‑Guara, área apontada pelo Governo como alternativa viável e segura.
Segundo o Presidente, a acção governamental no terreno demonstra essa opção estratégica, destacando a construção do maior bairro de reassentamento do distrito, a edificação do Hospital Distrital e o avanço de outras infra‑estruturas sociais e económicas destinadas a criar condições dignas para as famílias deslocadas.
O Presidente da República alertou ainda para os perigos da resistência de algumas famílias em abandonar as zonas de risco, motivada pelo receio de perderem bens adquiridos ao longo de anos de esforço.
Neste contexto, Daniel Chapo recordou que nenhuma reconstrução é possível sem vida, deixando uma mensagem clara às comunidades:
“A vida não tem segunda época. Tudo o resto pode ser reconstruído.”
O Chefe do Estado reiterou que sair das zonas de perigo representa um acto de prevenção e responsabilidade colectiva, sobretudo num cenário marcado por eventos climáticos cada vez mais severos.
Apoio à retoma da produção agrícola
Durante a sua intervenção, o Presidente garantiu que, assim que terminar o período crítico dos desastres naturais, o Governo irá disponibilizar insumos agrícolas às famílias afectadas, com o objectivo de permitir o regresso à produção e assegurar a segurança alimentar e nutricional nas comunidades atingidas.
A medida visa mitigar os impactos económicos das cheias, sobretudo para as famílias que dependem da agricultura de subsistência como principal meio de sobrevivência.
Importa referir que, face à gravidade da situação e à persistência das chuvas intensas, o Governo de Moçambique decretou alerta vermelho em todo o território nacional, apelando à máxima vigilância, à observância das orientações das autoridades e à colaboração das comunidades na prevenção de perdas humanas.
As autoridades reiteram que a evacuação atempada continua a ser a principal forma de salvar vidas num contexto de desastres naturais agravados pelas mudanças climáticas.





