A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reuniu-se ontem com a Associação dos Industriais do Caju (AICAJU), no âmbito das visitas aos membros na província de Nampula, para auscultar as preocupações e desafios enfrentados pelo sector.
Durante o encontro, os representantes da AICAJU denunciaram as dificuldades que o sector atravessa, com destaque para a escassez de matéria-prima, a proliferação de compradores ilegais e a não observância do preço de referência de 45 meticais por quilograma, por parte de alguns intermediários e comerciantes informais.
Segundo Rui Encarnação, membro da associação, a situação é preocupante, uma vez que as indústrias não conseguem adquirir castanha directamente dos camponeses devido à actuação de intermediários ilegais que encarecem o custo da produção.
Indústrias em risco de colapso
A AICAJU sublinhou que a presença excessiva de intermediários no circuito de comercialização torna as operações industriais insustentáveis. Das cerca de 15 fábricas de processamento de castanha que outrora existiam, apenas 3 permanecem em funcionamento, e mesmo estas operam a meio gás, devido à falta de matéria-prima e ao aumento dos custos.
Para assegurar a continuidade das poucas fábricas ainda activas, a associação propõe:
- Fixação de quotas na exportação em bruto, garantindo que pelo menos 70% da matéria-prima seja destinada ao abastecimento das indústrias nacionais;
- Maior controlo na fiscalização, para travar a proliferação de intermediários ilegais;
- Observância rigorosa do preço de referência, como forma de proteger produtores e indústrias.
Segundo a AICAJU, estas medidas podem contribuir para estabilizar o sector, criar condições para a retoma da produção industrial e atrair novos investidores.





