A crise interna na Renamo voltou a subir de tom esta quinta-feira, na cidade de Nampula, onde oito pessoas ficaram feridas na sequência de confrontos físicos entre membros do partido, após uma tentativa de ocupação da delegação provincial por um grupo que contesta a liderança do presidente da formação política, Ossufo Momade.
Segundo apurou a Carta, os incidentes tiveram início com uma marcha promovida por membros contestatários, que se dirigiram à sede provincial da Renamo com o objectivo de assumir o controlo do edifício. O grupo estaria munido de objectos contundentes, o que elevou rapidamente o nível de tensão no local.
À chegada à delegação provincial, os manifestantes encontraram resistência por parte de apoiantes do presidente da Renamo, situação que degenerou em confrontos físicos entre as duas facções. A troca de agressões só cessou com a intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM), chamada para restabelecer a ordem pública.
Direcção provincial distancia-se dos confrontos
Em declarações à imprensa, o porta-voz da Renamo ao nível da província de Nampula, Nelson Carvalho, afirmou que o partido não reconhece o grupo contestatário e distanciou a direcção provincial da manifestação e das suas consequências.
“A Renamo não reconhece este grupo e não se responsabiliza pela manifestação nem pelos actos de violência que daí resultaram”, declarou o porta-voz.
Os feridos foram socorridos e encaminhados para o Hospital Central de Nampula, onde receberam cuidados médicos. Até ao momento, não foi divulgado o estado clínico das vítimas.
Tensão alastra a outras províncias
Os incidentes registados em Nampula não constituem um caso isolado. Informações recolhidas pela Carta indicam que a delegação provincial da Renamo em Cabo Delgado se encontra sob forte vigilância policial, com a presença de agentes da Unidade de Intervenção Rápida e da Polícia de Protecção.
A mobilização policial terá sido solicitada pela direcção do partido, com o objectivo de impedir novas tentativas de ocupação das instalações por membros e simpatizantes que se opõem à liderança de Ossufo Momade.
A escalada de confrontos evidencia o agravamento da crise interna na Renamo, num momento em que o partido enfrenta divisões profundas e dificuldades em manter a coesão interna a nível nacional.





