Moçambique e África do Sul reforçaram esta quarta-feira, 3 de Dezembro de 2025, a sua cooperação bilateral com a assinatura de novos instrumentos que ampliam as parcerias nos sectores de energia, transporte, comércio, migração, agricultura e segurança. A IV Cimeira Binacional, realizada em Maputo, foi dirigida pelo Presidente moçambicano, Daniel Francisco Chapo, e pelo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, num ambiente marcado pela reafirmação da parceria estratégica entre os dois países.
Os dois Chefes de Estado destacaram que a nova etapa de cooperação assenta no objectivo comum de transformar os corredores logísticos e energéticos da região em eixos de crescimento económico e industrialização.
Novos acordos ampliam cooperação em energia, logística e comércio
Durante os trabalhos, Daniel Chapo sublinhou que Moçambique e África do Sul decidiram acelerar a implementação dos acordos já existentes e avançar com novos compromissos operacionais.
“Queremos sair da palavra para a acção na implementação tanto dos acordos já assinados anteriormente como estes que assinamos hoje.”
Entre as áreas priorizadas destacam-se energia, transportes e logística, industrialização, circulação de bens e pessoas, postos fronteiriços de paragem única e cooperação agrícola.
No sector energético, Chapo enfatizou a necessidade de uma parceria estratégica que envolva governos e sector privado:
“Enfatizamos a pertinência do estabelecimento de uma parceria estratégica (…) para promover a diversificação de fontes energéticas e a construção de infra-estruturas de geração e de transmissão de energia eléctrica entre os nossos dois países.”
O transporte e a logística constituíram outro eixo central da agenda, com destaque para a modernização do Corredor de Maputo e para novos projectos como Ponta do Ouro e Mapinhane-Pafúri.
Ressano Garcia será modelo continental de posto de paragem única
Os dois líderes acordaram acelerar a transformação de Ressano Garcia/Lebombo no primeiro Posto de Fronteira de Paragem Única totalmente digitalizado do continente.
“Os nossos povos precisam desta facilidade, o nosso sector privado clama pela flexibilização do transporte de bens, pessoas e mercadorias, e estamos ávidos em promover um turismo mais robusto.”
A digitalização completa deste posto deverá reduzir tempos de trânsito, facilitar o comércio e tornar o corredor mais competitivo no contexto regional.
Na área da movimentação de pessoas, os dois países destacaram a necessidade de fortalecer mecanismos de gestão migratória que facilitem emprego, formação e circulação regular, com especial atenção a jovens e mulheres.
“Destacamos a importância de fortalecer o mecanismo de gestão migratória para facilitar a mobilidade regular, promover oportunidades de emprego e combater práticas ilícitas.”
Parceria energética ganha novo impulso em Inhassoro
A cooperação bilateral foi reforçada poucas horas depois, com os dois Chefes de Estado a participarem na inauguração da Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos, em Inhassoro, considerada um marco histórico para a transição energética e industrial do país.
Durante a cerimónia, Chapo destacou o simbolismo da presença de Ramaphosa:
“A sua presença não é apenas um gesto diplomático; é a reafirmação viva de uma história compartilhada, uma história de luta, solidariedade e desenvolvimento.”
A nova infra-estrutura, que inclui unidades de processamento de gás, produção de GPL e barris de petróleo leve permitirá reduzir em cerca de 70% as importações nacionais de gás de cozinha.
“Hoje, cerca de 75% já não precisamos importar. Poupamos dinheiro, geramos dinheiro.”
Os projectos associados já geraram 1.685 empregos na fase de construção e criam 120 empregos directos na operação, maioritariamente com contratação local.
Chapo e Ramaphosa confirmaram que os dois países “crescem juntos”, comprometendo-se a transformar recursos naturais e infra-estruturas estratégicas em benefícios reais para as economias e para as comunidades.
“Com espírito de complementaridade e visão partilhada, vamos transformar os nossos recursos e o potencial em progresso concreto para impactar as nossas economias.”
O Presidente moçambicano encerrou a cimeira reforçando que a cooperação é essencial para a construção de uma região mais forte:
“Moçambique e África do Sul não crescem separados, crescem juntos.”





