O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, lançou, esta quinta-feira, um apelo firme para a intensificação do combate ao crime organizado, com particular enfoque nos raptos, alertando que o país não permitirá que redes criminosas ditem o rumo da segurança nacional. A posição foi expressa durante a abertura do XXXV Conselho Coordenador do Ministério do Interior, em Maputo, onde o Chefe de Estado apresentou uma agenda robusta de reformas e de disciplina institucional para defender o Estado moçambicano.
Segundo o Presidente, o combate ao crime organizado, incluindo raptos, branqueamento de capitais, tráfico de drogas, corrupção policial e infiltração criminal nas instituições, tornou-se imperativo para restaurar a confiança dos cidadãos e proteger o ambiente económico do país, numa fase em que Moçambique procura consolidar a sua estabilidade interna.
“Os raptos não podem capturar o país”, alerta presidencial
Chapo dedicou uma parte significativa do discurso à problemática dos sequestros, classificando-os como um dos maiores desafios actuais à ordem pública e ao investimento.
“Queremos que os raptos passem para a história, antes que os raptores sequestrem o Estado”, afirmou.
O Presidente reforçou que o Ministério do Interior deve tratar o fenómeno com urgência estratégica, insistindo na neutralização dos grupos envolvidos e na protecção dos empresários e investidores frequentemente visados por estas redes criminosas.
Polícia sob pressão: Presidente exige purificação das fileiras
Daniel Chapo reconheceu que “a maioria” dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) é íntegra, mas afirmou que “alguns elementos infiltrados” estão comprometidos com máfias, tráfico de drogas, corrupção e redes de raptos.
“A corporação policial está infiltrada por alguns membros ligados a máfias, a teias criminais, ao tráfico de drogas, aos raptos e à venda e aluguer de armas de fogo”, disse.
O Chefe de Estado exigiu “coragem de liderança” para remover estes agentes, avisando que a inacção transmite a mensagem errada à sociedade e compromete a autoridade do Estado.
Crime organizado afecta investimento e segurança nacional
Chapo sublinhou que o crime organizado, quando não enfrentado com firmeza, destrói a confiança económica e desencoraja o investimento privado.
“Nenhum investidor aplicará capital onde reina o medo. Nenhuma economia floresce quando as pessoas vivem sob tensão”, afirmou.
O Presidente destacou que a segurança interna é a “primeira infra-estrutura de desenvolvimento”, tão importante quanto estradas, portos ou energia, sendo decisiva para consolidar os megaprojectos que o país está a recuperar.
Mudanças profundas no Ministério do Interior
O Presidente exigiu que o Ministério do Interior adopte uma postura disciplinar rigorosa, com tolerância zero para:
• corrupção policial;
• extorsão em estradas e fronteiras;
• venda ilícita de documentos de identificação;
• negligência na fiscalização rodoviária;
• apadrinhamento interno ou tráfico de influências.
Chapo classificou como “hedionda” a situação da sinistralidade rodoviária e acusou sectores da polícia de complacência perante violações graves.
Tecnologia, vigilância e proximidade às comunidades
O Chefe de Estado ordenou uma modernização acelerada do sector, incluindo videovigilância urbana, interoperabilidade de bases de dados, identidade digital e sistemas modernos de gestão de fronteiras.
Paralelamente, reforçou que a polícia deve reconquistar a confiança popular:
“A polícia deve ser protectora e não opressora. Deve ser parceira do cidadão e não adversária”, disse.
Chapo elogiou o desempenho da Unidade de Intervenção Rápida no Teatro Operacional Norte, mas afirmou que a segurança precisa de ser reforçada para garantir o regresso pleno da população às zonas afectadas e a retoma de investimentos estratégicos.
“As populações precisam de sossego para poderem produzir e contribuir para o desenvolvimento”, declarou.





