O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou em Bruxelas uma visão estratégica destinada a posicionar Moçambique como um centro energético e logístico na África Austral, destacando o potencial do país para impulsionar a industrialização e atrair investimento internacional.
A estratégia foi apresentada durante uma mesa-redonda de alto nível com representantes do Governo da Bélgica e empresários, encontro focado na transição energética global e nas oportunidades de cooperação económica.
Mega-projectos de gás como motor económico
Durante a sua intervenção, o Chefe do Estado destacou o avanço dos projectos de gás natural na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, considerados fundamentais para a transformação económica do país.
O Presidente referiu que a melhoria da segurança no norte permitiu relançar projectos anteriormente suspensos devido ao terrorismo.
“Este projecto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo. No último ano, porém, decidimos que era muito importante retomar o projecto”, afirmou Daniel Chapo.
O estadista acrescentou ainda que o Governo mantém diálogo com a ExxonMobil, prevendo avanços significativos nos próximos meses.
“Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto”, avançou.
Potencial energético da SADC
O Presidente sublinhou igualmente o papel que Moçambique pode desempenhar no abastecimento energético da região da África Austral.
“Na região da SADC, Moçambique tem o potencial de se tornar um verdadeiro hub energético”, defendeu o Chefe do Estado.
Entre os projectos destacados estão a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que já fornece energia a vários países vizinhos, bem como o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, com capacidade estimada em cerca de 1.500 megawatts.
Daniel Chapo explicou que a estratégia energética do país passa pela utilização inteligente dos recursos nacionais para acelerar o processo de industrialização.
“Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do país e desenvolver várias centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região”, afirmou.
O Presidente mencionou igualmente a central de Temane, na província de Inhambane, como parte do conjunto de infra-estruturas energéticas destinadas a reforçar a capacidade nacional de produção de energia.
Logística e corredores de desenvolvimento
Para além da energia, o Chefe do Estado destacou o papel estratégico dos corredores de desenvolvimento de Maputo, Beira e Nacala na ligação de Moçambique aos mercados do interior do continente africano.
O Presidente apontou também a necessidade de modernizar e digitalizar as infra-estruturas logísticas do país.
“Queremos investir na digitalização das infra-estruturas logísticas, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento”, afirmou.
A ambição do Governo inclui ainda transformar o país num centro digital da região da SADC, tirando partido da disponibilidade energética para instalar centros de dados e outras infra-estruturas tecnológicas.
“A nossa ambição é transformar Moçambique num centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no país, aproveitando a disponibilidade de energia para servir não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos”, declarou Daniel Chapo.
Governo convida investidores internacionais
No final do encontro, o Presidente da República convidou investidores internacionais a participarem nos projectos estratégicos do país.
“Estamos abertos a trabalhar com o sector privado, tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento. Por isso, sejam todos bem-vindos a Moçambique”, concluiu.
A estratégia apresentada em Bruxelas reforça a aposta do Governo em energia, logística e inovação tecnológica como pilares para transformar Moçambique num actor central no desenvolvimento económico da África Austral.





