A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) está a trabalhar na modernização da sua infra-estrutura tecnológica, com vista à criação de uma plataforma própria para a negociação de títulos on-line, permitindo transacções em tempo realno mercado bolsista nacional.
A informação foi avançada pelo administrador executivo para a área de Operações de Mercado da BVM, Alcino Michaque, durante um evento promovido pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Segundo o responsável, a iniciativa visa tornar o mercado mais acessível, eficiente e alinhado com as melhores práticas internacionais.
“Queremos, definitivamente, modernizar a nossa infra-estrutura tecnológica, permitindo que as pessoas possam transaccionar os títulos disponíveis no nosso mercado em tempo real”, afirmou Alcino Michaque.
De acordo com a BVM, a concretização do projecto está a ser desenvolvida em coordenação com diferentes sectores do Governo e outros intervenientes do sistema financeiro, no quadro da reforma do enquadramento legal que rege a actividade bolsista.
Choques económicos registados entre o final de 2024 e Março de 2025
A instituição reconhece que o mercado de capitais foi afectado pelos choques económicos registados entre o final de 2024 e Março de 2025, num contexto marcado por manifestações que impactaram negativamente o tecido empresarial. Esse cenário, segundo a BVM, reflectiu-se na capitalização bolsista e no volume de negócios, bem como na menor mobilização de empresas e investidores.
Ainda assim, a Bolsa considera que a digitalização das operações poderá contribuir para relançar o mercado, atrair mais empresas, diversificar instrumentos financeiros e reforçar o papel da BVM no financiamento da economia.
Entre os instrumentos em perspectiva, a instituição destaca a introdução de obrigações sustentáveis, incluindo obrigações verdes e sociais, cujos componentes legais se encontram em fase de definição, em articulação com o Banco de Moçambique.
A BVM acredita que, ao longo de 2026, será possível consolidar este processo de modernização e reforçar a contribuição do mercado de capitais para o financiamento das empresas e do desenvolvimento económico do país, através de instrumentos como obrigações corporativas, obrigações do Estado e operações de abertura de capital.





