O arranque da entrega das primeiras habitações no âmbito do Projecto das 25 Mil Casas, na zona da Maraza, está a gerar intenso debate público, com vários munícipes a questionarem os valores exigidos para aquisição das moradias.
O Conselho Municipal da Beira sustenta que o projecto representa um marco na promoção de habitação condigna, segura e organizada, enquadrado numa visão de crescimento urbano com responsabilidade.
Segundo informação tornada pública pela edilidade, os interessados podem aceder às moradias através de diferentes modalidades de pagamento:
- Pagamento directo (cash);
- Financiamento bancário, com acompanhamento técnico no processo;
- Pagamento por fases de construção, permitindo que a obra avance gradualmente conforme o plano acordado;
- Arrendamento com opção de compra, possibilitando ao munícipe residir de imediato no imóvel, pagando rendas mensais até perfazer o valor total da habitação.
De acordo com o Município, esta última modalidade constitui uma alternativa facilitadora, tornando o sonho da casa própria mais exequível.
Para informações adicionais e esclarecimentos, os interessados são orientados a contactar directamente a empresa gestora do projecto, estando as obras abertas permanentemente para visitas.
Preços no centro da polémica
Apesar das opções apresentadas, os valores das casas têm sido alvo de críticas.
De acordo com o munícipe Naftal João Francy, que divulgou os dados publicamente, os preços são os seguintes:
- Casa tipo 1 geminada: 2.359.000 MZN
- Casa evolutiva para tipo 3: 2.500.000 MZN
- Casa tipo 2 geminada: 3.999.000 MZN
- Casa tipo 3 duplex individual: 9.999.000 MZN
Ainda segundo Naftal João Francy, um licenciado que trabalha na função pública aufere, em média, cerca de 35 mil meticais mensais, o que, no seu entendimento, torna as habitações inacessíveis para a maioria dos jovens.
“Um licenciado que trabalha na função pública ganha, em média, 35 mil meticais por mês. Mesmo após cinco anos, não conseguiria comprar sequer uma casa tipo 1. Isso faz sentido?”, questionou Naftal João Francy.
Outras reacções
Manuel Francisco António considera que os valores anunciados não correspondem à realidade salarial da maioria dos cidadãos.
“Se é para ajudar, esses valores são muito altos. Só quem tem muito dinheiro é que vai conseguir”, afirmou.
Jackson Paulo Timóteo defende que as casas são “inacessíveis para a realidade dos jovens beirenses” e questiona a existência de políticas claras para as famílias anteriormente residentes na área do projecto.
Luís Alberto entende que os salários dos jovens não são compatíveis com os montantes anunciados, enquanto Meque António Simango considera que os preços afastam o cidadão comum da possibilidade de ter casa própria.
Já José Sitoe defende que habitação pública deve ser efectivamente acessível às camadas de baixa renda.
“Habitação pública deve estar acessível a todos. Duvido que estas casas estejam destinadas à população pobre que vive de pequenos negócios, agricultura ou pesca”, afirmou.
Enquanto o Conselho Municipal reafirma o compromisso com o ordenamento urbano e o desenvolvimento harmonioso da cidade, o debate público coloca no centro da discussão a necessidade de equilibrar sustentabilidade financeira do projecto com a sua função social.
A questão que permanece entre muitos munícipes é clara: até que ponto o Projecto das 25 Mil Casas responde à realidade económica da maioria dos beirenses?





