Mais de 350 mil pessoas em todo o país passaram a ter acesso sustentável à água potável em 2024, através de projectos implementados pelo Governo de Moçambique com o apoio técnico e financeiro do Sistema das Nações Unidas e de diversos parceiros de desenvolvimento.
Os dados constam do Relatório Anual das Nações Unidas em Moçambique 2024, que destaca o impacto positivo das iniciativas comunitárias de abastecimento de água e saneamento em várias províncias do país.
De acordo com o documento, as intervenções foram orientadas para melhorar a disponibilidade, a qualidade e a gestão sustentável dos recursos hídricos, com enfoque nas comunidades rurais e periurbanas que enfrentavam défices estruturais de abastecimento.
O relatório indica que os projectos de água e saneamento executados no ano anterior contribuíram directamente para o cumprimento do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 6 (ODS 6): “Água potável e saneamento para todos”.
As acções desenvolvidas em 2024 incluíram a construção e reabilitação de furos, pequenos sistemas de abastecimento e pontos públicos de água, abrangendo mais de 120 comunidades nas províncias da Zambézia, Sofala, Manica, Gaza e Nampula.
Grande parte das infra-estruturas foram equipadas com sistemas solares de bombagem e reservatórios de armazenamento, garantindo a sustentabilidade energética e ambiental das operações.
O relatório salienta ainda o fortalecimento da gestão comunitária dos sistemas de abastecimento, com a formação de comités locais de água responsáveis pela manutenção e pela cobrança de pequenas tarifas destinadas à reparação de equipamentos.
Estas medidas visam assegurar que os investimentos tenham impacto duradouro e autossuficiência local, reduzindo a dependência de intervenções externas.
O apoio técnico foi prestado por agências como o UNICEF, PNUD, OMS e ONU-Habitat, em coordenação com o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) e os Conselhos de Água Distritais.
Os programas seguiram os princípios da Estratégia Nacional de Água e Saneamento (ENAS 2030), priorizando a eficiência, a inclusão e a participação comunitária.
Impacto social e melhorias no bem-estar das famílias
O acesso à água potável teve efeitos diretos na redução das doenças de origem hídrica, na diminuição da carga de trabalho das mulheres e raparigas e na melhoria da frequência escolar.
O relatório indica que, em muitas comunidades, a distância média percorrida para recolher água reduziu-se de três quilómetros para menos de quinhentos metros, permitindo ganhos significativos de tempo e produtividade familiar.
Os projectos integraram também acções de educação sanitária e promoção de higiene, que beneficiaram mais de 900 mil pessoas em escolas e centros de saúde.
Foram distribuídos kits de higiene familiar e realizados programas de sensibilização sobre o uso racional da água e a prevenção de doenças.
Segundo o Relatório Anual, a redução das infecções diarreicas e da cólera nas zonas beneficiárias é um dos principais indicadores de impacto positivo das intervenções de 2024.
O documento destaca a coordenação interinstitucional entre o Governo, agências da ONU e parceiros bilaterais, que resultou num modelo de financiamento descentralizado e alinhado com as prioridades nacionais do Plano Quinquenal do Governo 2025–2029.
Entre os parceiros de implementação constam o Banco Mundial, a Cooperação Suíça, a União Europeia, a USAID e a Agência Sueca de Cooperação Internacional (SIDA).
O financiamento foi canalizado através do Programa Conjunto de Água, Saneamento e Higiene (WASH), que apoia a implementação de políticas públicas de acesso universal e a expansão dos serviços básicos resilientes às alterações climáticas.
O relatório aponta que as acções de 2024 permitiram fortalecer a capacidade institucional de 60 administrações distritais e melhorar o planeamento integrado de recursos hídricos, promovendo o uso eficiente e sustentável da água.
Compromissos e metas até 2029
O Relatório Anual das Nações Unidas em Moçambique 2024 sublinha que, apesar dos avanços alcançados, cerca de 35 % da população continua sem acesso adequado à água potável e ao saneamento seguro, sobretudo em zonas rurais e de difícil acesso.
O Governo e os parceiros comprometem-se a ampliar as infra-estruturas hidráulicas e a investir na governação integrada dos recursos hídricos, de modo a atingir cobertura universal até 2030, em conformidade com o ODS 6.
As prioridades incluem a expansão de sistemas de abastecimento multifuncionais, a monitoria digital da qualidade da água e o reforço da coordenação entre os sectores da saúde, educação e ambiente.
O relatório conclui que o progresso registado em 2024 “demonstra a eficácia da parceria entre o Estado e os organismos internacionais” e “reforça a capacidade nacional de garantir acesso equitativo, sustentável e resiliente à água potável”.





